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quarta-feira, maio 30, 2012 1 comentários

Atividade física pós-tratamento

Não é segredo para ninguém que o tratamento traz uma certa limitação física. Durante a quimio é inegável que o corpo fica limitado. A cirurgia, pior ainda e a radio traz outras limitações, o calor e sensibilidade da pele, não pode transpirar para não apagar a tinta, além de uma sensação de estafa (que eu sentia bastante).
Então, passado todo esse tempo difícil, com vários quilinhos a mais, chega um momento que não tem mais como escapar. Temos que voltar a mexer o corpinho.
Como disse outro dia, senti uma melhora muito grande na minha disposição e não deixei o trem passar: recomecei a academia e aproveitei a onda para fazer pilates também.
Estou animada e recomendo pilates para todo mundo. Primeiro porque é uma atividade que respeita o limite de cada um, além de ter um acompanhamento individualizado de um profissional fisioterapeuta e também porque dizem que o resultado é rápido e surpreendente. 
Ainda não vi o resultado, mas estou me dedicando bastante para ficar linda e mais enxuta.
Na primeira aula de pilates, a professora me colocou na máquina e mandou eu puxar as pernas para frente concentrando a força no abdômen. Aquilo me deu uma aflição: fiquei morrendo de medo de sentir uma dor na minha cicatriz (ou arredores), mas não senti nada, foi ótimo!
A única dor que eu sinto é no dia seguinte, mas é uma dorzinha de satisfação. A gente sente que o corpo está reagindo ao exercício.

Quando eu alcançar a minha meta de emagrecimento conto para vocês.
Enquanto isso, dedicação total.
Beijos, 
Thai
quarta-feira, dezembro 14, 2011 16 comentários

Vinte e Seis Primaveras

Eu nasci em um sábado. Atrapalhei a formatura do pré do meu irmão. Parece que desde que eu nasci queria criar essa comoção. Eu era um bebê totalmente careca e meu pai conta indignado até hoje, que minha mãe colava lacinho com durex na minha cabeça. Quando ela tirava o durex meus únicos fios saiam junto, meu pai ficava bravo. Nesses vinte e seis anos de vida eu sempre comemorei meu aniversário, nunca fui muito fã de cantar parabéns, mas sempre aproveitei 14 de dezembro como uma desculpa para reunir pessoas maravilhosas e que eu amo demais.
Hoje é meu aniversário de vinte e seis anos e eu estou careca assim como em 14 de dezembro de 1985 - é uma pena que a fofura skinhead dure apenas até os seis meses de vida, seria muito mais fácil se eu ainda fosse linda carequinha. A diferença é que a minha falta de cabelos dessa vez é o sinal de uma luta dura, difícil, pesada.
Esses últimos dias de recuperação da cirurgia estão sendo péssimos, por isso estou sumida. Eu estou nervosa, mau humorada, triste, chorona. Gente, é horrível ficar com dor, sem poder andar, sem sair de casa, decorando a programação da Net inteira. E o cabelo, então? Essa porcaria não nasce. Não sei se está nascendo um pouco, mas não dá para enxergar por causa da minha loirisse. Foi uma semana que eu me senti absolutamente maltratada pelo tratamento. Dessa vez, eu senti o peso!
Para completar esse ciclo pós-cirurgico calhou de ter que tirar os pontos justamente hoje. Estou com medo de ir no médico, estou de saco cheio de sala de espera de oncologista. Enfim.... estou querendo terminar para sempre com isso mesmo.
 Sendo assim, meu objetivo do dia é apagar todos os momentos péssimos que eu já passei até aqui. Eu não ligo de ignorar toda a minha luta, eu prefiro esquecer todo o desespero que essa doença trouxe para minha vida e me lembrar apenas dos bons momentos dos últimos vinte e seis anos. E foram muitos.
O fato de ter tido câncer aos vinte e cinco e estar sofrendo muito no momento não diminuem uma vida de alegrias que eu tive. Uma vida de alegrias que eu tenho.

Em alguns momentos de revolta eu cheguei a pensar: "Eu queria ser qualquer outra pessoa, menos eu", mas isso foi bobagem, eu nunca desejei ser ninguém no mundo que não fosse eu mesma. Se eu fosse outra pessoa, eu jamais teria a família maravilhosa que eu tenho, nem os amigos sensacionais e o melhor namorado. Se eu fosse outra pessoa, eu não teria escrito uma história tão boa e tão rica em vinte e seis anos.
Se eu fosse outra pessoa, pode ser que eu não tivesse câncer, nem tivesse que passar por uma cirurgia como essa, nem tivesse perdido meus cabelos, mas com certeza, essa pessoa não teria um coração como o meu, tão cheio de amor, transbordando história. Transbordando VIDA!
terça-feira, dezembro 06, 2011 10 comentários

Cirurgia - Primeira Semana

Eu poderia ter postado antes, mas eu estou muito reclamona. Pensa que é fácil ficar ligada em um monte de caninhos e sem conseguir andar?
Gente, nunca nessa vida eu sonhei que o inferno da cirurgia fosse tão insuportável.
Fui internada na quinta-feira e passei a primeira noite na enfermaria do Hospital Angelina Caron e pensei milhões de vezes em como iria contar aqui todo o terror que foi ficar naquele lugar, mas desisti porque nenhuma palavra que eu falar vai retratar, então nem vou tentar. Só resumo dizendo que chorei do momento em que eu entrei no quarto até o momento em que eu fui para a cirurgia.
Quando fui levada para o centro cirúrgico até o momento em que eu cheirei aquele gás mágico, passei um nervosismo enorme, mas conversei com meu médico antes de iniciar, o que me deixou mais calma. Após duas anestesias acordei na sala de recuperação e depois fui para o quarto.
Sexta-feira foi um dos piores dias da minha vida. Muita dor, muito enjôo, muito calorão, não podia mexer, nem comer, nem beber água, vai dando um desespero.

Sábado, na primeira tentativa de comer, não deu muito certo. A primeira tentativa de levantar da cama, deu super errado, depois de dois desmaios tivemos que tentar mais tarde. Recebi visitas lindas, mas ainda estava muito debilitada, nem conseguia rir, porque doia. E dai então, aconteceu uma insanidade: EU ESPIRREI. Jesus, me salva!! Espirrar me fez ver todas as estrelas que eu nunca tinha visto na vida.
Domingo tudo foi muito diferente, eu me alimentei melhor e consegui levantar duas vezes, assisti a final do campeonato brasileiro e quando o Timão foi oficialmente campeão, comecei a chorar e percebi que queria tanto que tudo tivesse sido diferente. Se eu não estivesse no hospital, nós estaríamos comemorando o aniversário do meu irmão e ia ser um dia muito feliz, mas ao contrário, eu estava ligada em  um monte de fios, tomando remédio toda hora e sem poder levantar. Dai em diante, deprimi um pouco. Porra, Câncer, vai pro inferno!
Segunda tive alta e vim para casa e dai então a maior provação de força de todos os tempos: SUBIR ESCADAS.
Foi sofrido, mas cheguei aqui em cima. Estou de cama, sem poder levantar sozinha, dependendo da minha mãe para tomar banho, comer, beber água, levantar, trocar curativo. Está sendo uma semana tensa e estou com um humor muito duvidoso, por isso vim aqui só relatar que minha cirurgia deu certo, mas o preço é alto.
Volto com novidades só depois de sexta, quando me livrar dos canos e quiçá dos vinte pontos.

A luta continua.
Beijos, 
Thai

* Estou com carinha de feliz nas fotos né? Mas juro que não tinha a menor graça. Esse sorrisinho é fake. haha
quarta-feira, novembro 30, 2011 7 comentários

Cirurgia - Preparação

Eu acho que o medo é fundamental. Você imagina o mundo se as pessoas não tivessem medo? Ia ter gente se jogando para fora de avião o tempo todo (ops! isso já tem). Mas brincadeiras à parte, é óbvio que esses momentos pré-operatórios são tensos e eu estou com medo.
Para falar bem a verdade, penso mais na dor e no fato de que o transtorno pós-operatório durante meu aniver, Natal e Ano Novo pode estragar tudo. Sou dessas, estou mais preocupada com a chatisse de estar operada na minha época preferida do ano do que com o fato de fazer uma mega cirurgia daqui dois dias. Eu sei que vai doer, vai ser chato, disso tudo eu sei, mas e os presentes  de Natal que ainda não comprei, faz como?

Bom, enquanto não chega a hora de sentir um pouquinho de sofrimento na  pele, vou levando da melhor forma possível.  O final de semana foi gostoso, chegou um momento em que eu quase me senti normal de novo. Até consegui dormir mais horas do que o habitual, mas o bruxismo mandou beijos. Travei tanto nas últimas noites que a dor de cabeça não vai embora nunca.
Estou muitos quilos acima do peso nesse momento e vou considerar esses próximos dias de internação um tipo de spa. Comida de hospital é dose, eu odeio canja e provavelmente vou estar virada do avesso por causa da anestesia. Será que dá para perder alguns dos quilos indesejáveis?
Não sei muito bem como vai funcionar as visitas no hospital, não sei de quase nada na verdade. As vezes a ignorância é um coisa maravilhosa. Essa semana estou aproveitando para fazer algumas coisas que gosto e tomar providências.
Tirando o fato de que o convênio ainda não liberou minha cirurgia e está um tal de liga para médico, ouvidoria, anvisa, já estou preparada. Minha mala está pronta, contendo camisolas fofas, muitos lenços, maquiagem, perfuminho e tudo que puder fazer um truque para esconder a carinha de adoecida.
Se até o momento eu estou bem na missão de esconder o abatimento e a careca, não vai ser no hospital que vou deixar a peteca cair, não é mesmo?
Então é isso... me desejem sorte. Vai dar tudo certo e dentro de alguns dias estarei de volta com mais uma etapa resolvida!

Beijos,
Thai.
 
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