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sábado, novembro 26, 2011 4 comentários

Post da Dani I


Hoje o post é da minha supeeeeer, hiper amiga e irmã Dani. O post dela fez eu me sentir uma pessoa tão maravilhosa que eu estou me achando nesse momento..
Só digo uma coisa: chorei rios lendo.
Desenterrei uma foto que a gente nem parece com a pessoa que somos hoje em dia, mas achei interessante comprovar que estamos lado a lado desde o dia que nos conhecemos.
Amiga, te amo demais, não tenho nem palavras para agradecer a sua parceria e seu apoio.  

 
"Escrever aqui não é, nem vai ser uma coisa muito fácil.
Primeiro porque o momento e o tema não são dos melhores, e, segundo porque a Thai tem feito isso com maestria.
Mas, mesmo assim, vamos lá...

Antes de tudo tenho que explicar a importância da Thai na minha vida e na de todos que tem o prazer de dividir ela como amiga!
Sim, faço parte de um grupo de privilegiados que podem chamar os amigos de irmãos e contar com eles a qualquer hora!
E foi pensando nisso, nesse sentimento de conforto e segurança que eu tenho ao lado delas, que a luz amarela do meu celular piscou numa manhã de sol no meio das minhas férias!
Aquilo significava que eu tinha recebido um email ou uma msg da Thai, e, eu pensei “que coincidência boa, tava pensando nela nesse exato momento”.
Por ironia do destino a ultima sensação que eu tive antes ler o fatídico e-mail, foi a de ter levado um “soco no estômago” ao considerar a possibilidade de viver sem a presença diária delas (vontade súbita de morar no calor e abandonar essa cidade gelada).
Ninguém avisa que quando você recebe uma notícia ruim o tempo para, o mundo gira literalmente, e passa um filme na sua cabeça. Todas as possibilidades, e todas as vertentes são consideradas em questões de segundo.
Eu chorei, eu tive ódio, eu não entendi o porquê, mas a pior sensação vinha, quando eu pensava que se eu estava me sentindo assim, imagine ela...
E ai, veio a impotência, a frustração, a vontade de querer carregar ela no colo e levar pra longe daquilo e só voltar quando tudo estivesse terminado.
Mas na realidade você percebe que não tem como ajudar (pelo menos não da forma que queria), nem tem como aliviar a dor que ela está sentindo. Se eu pudesse eu juro que dividia essa dor comigo para fazer dessa batalha (ganha) menos dolorosa.
Eu nunca duvidei da cura, sempre tive certeza que lá no final tudo ia dar certo, mas isso não faz da dor e da tristeza menores, porque o caminho pra vitória com certeza ia maltratar a minha amiga loira e linda.
Era nisso que eu pensava, no cabelo lindo (que ela TEM), na alegria única, no sorriso, na paixão de viver e no bom humor invejável.
A Thai é assim, ela é o elo do grupo. A que mantém e luta para manter o grupo sempre unido. De todas, ela é a única que nem por um segundo se afastou. Ela seeeempre consegue ver o lado bom das coisas, e nada é igual se ela não estiver junto, porque ela ilumina e traz vida com a sua presença, desconhece o morno porque com ela tudo é intenso. Ela faz, sem qualquer esforço, um almoço no centro virar um dos melhores momentos da semana.
Apesar de ela estar lidando, durante todo esse processo, de uma maneira surpreendente, e a gente ter conseguido manter a felicidade no meio dessa tempestade, foi inevitável pensar se ela ia continuar a ser a mesma depois desse capítulo tão triste e desnecessário.
Foi ai que começaram a chegar as tão esperadas boas notícias. A perspectiva da cura mais próxima, e a certeza de que o tratamento estava fazendo efeito, trouxeram aquele olhar alegre e aquela risada aliviada que às vezes ficaram encobertas pelo medo e a insegurança. Foi nesse momento, na hora dos gritinhos e dos pulos que eu vi a minha amiga inteira, completa, ainda machucada, mas maravilhosa como ela sempre foi e nunca deixou de ser!
Amiga, eu sei que de fora a gente nunca vai conseguir sentir e entender tudo isso que você está sendo forçada a viver. Mas você sabe que estaremos todas juntas pra tentar de todos os jeitos fazer dessa caminhada mais leve. Seja chorando junto, quebrando as coisas de ódio, dando risada pelas futilidades da vida, planejando milhões de viagens (até com controle de caloria e hora pra acordar (?)), ou simplesmente ajudando o tempo passar mais rápido.
Você merece os nossos parabéns, não só por estar sendo essa lutadora com uma força sem tamanho, mas também porque está se permitindo a sofrer e superar todas as fases desse tratamento sem deixar de ser você, essa pessoa que todo mundo tinha o direito de ter uma igual na vida. Você é sem dúvida o orgulho de todo mundo que está do seu lado segurando sua mão.
Vai passar, já está passando, eu sei que ainda é e vai ser difícil, que ficarão as cicatrizes, mas tenho certeza absoluta que no futuro estaremos todas juntas tomando uma champagne em Paris FELIZES.
Porque com a gente é assim, na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença. Como a Mah disse, “O time da tristeza não conseguiu virar o placar”.

Da sua sempre amiga, irmã,
Dani"
quinta-feira, outubro 20, 2011 4 comentários

Post da Flor I


Bom, hoje o post é da Flor. Só uma palavra para definir: lágrimas.
Foi tão dificil escolher uma só foto para ilustrar esse post, que eu escolhi duas. Nossa história é puro rock, bebê! Love u.

"Só pra contextualizar, pra quem ainda não sabe/não percebeu, somos uma turma de amigas bem amigas. Nos falamos todos os dias, nos vemos quase toda semana, mas é mais que isso... nós nos conhecemos. Na palma da mão. Todos os casos, todas as piadas, todo o passado, todos os fiascos, arrependimentos, loucuras, surtos... sabemos de tudo. Fazemos planos para o futuro, pros casamentos, pros filhos, pras casas, e sempre nos imaginamos velhas e enrugadas enchendo a cara de vinho tinto nos nossos encontros, daqui a uns 50 anos. Enfim, somos amigas do tipo que ajudam a jogar o corpo do defunto no fundo do rio (mesmo porque a gente assiste Dexter e já pegou as manhas).
Todo mundo conhece alguém que tem ou teve câncer. Algum parente, algum avô ou avó, tia, vizinha... não é uma doença alheia à realidade de ninguém, hoje em dia. Eu nunca tinha tido ninguém da minha família nem ninguém muito próximo com câncer, mas believe me, minha família tem uma considerável dose de doenças sérias e assustadoras (herança genética maravilhosa a minha), e eu, em tese, deveria ser mais “resistente” a esse tipo de notícia. Mas não fui.
Até tentei fazer um post que não falasse do dia em que fiquei sabendo e de como foi pra mim receber a notícia de que uma das minhas melhores amigas está com câncer no colo do útero. E apesar de ter começado o meu post tentando explicar um pouco a força da nossa ligação, aquele parágrafo lá em cima e essa expressão, “uma das minhas melhores amigas”, nem começam a explicar a importância que a Thai (e a Mah, Dani e Ju) têm pra mim.
Eu cheguei no trabalho numa segunda-feira comum, me sentei no computador e tinha um email da Thai. Normal, quase todo dia tem um email da Thai na minha caixa de entrada... até que eu li:
“Hoje eu vim aqui falar de uma coisa séria. Amiga, eu estou com câncer.”
Daí pra frente o meu dia foi... Como um dia solto no tempo. Como um sonho ruim no qual eu não entendia direito as coisas, não conseguia acordar, não conseguia compreender... não conseguia resolver. Me lembro vagamente de chorar na minha mesa, de chorar falando com as amigas do trabalho, chorar falando com o chefe, chorar ligando pro namorado, chorar em casa pelo resto do dia. E me lembro de ficar muito, muito grata por ela ter me contado por email e não pessoalmente, porque eu não queria ficar daquele jeito perto dela, ela precisava de força, e não da tristeza profunda e do vazio imenso que eu sentia.
Sabe... a gente não imagina uma coisa dessa, um câncer super agressivo aparecendo do nada naquele belo útero de apenas 25 anos. A gente vai vivendo, vai se ocupando dos nossos problemas diários, dos nossos dilemas e crises existenciais, dos nossos dramas familiares, e a gente acha que tá pronto pra essa tal de vida adulta, que tá se saindo bem na missão, até que a vida vem e dá uma rasteira dessa. E nos mostra que ela pode ser muito mais cruel, mais séria e mais urgente do que pensávamos. Até então, 25 anos era tanta coisa, era tudo que eu vivi até agora e me parecia tanto tempo, mas de repente, 25 anos ficou tão pouco. Há tempos eu não me sentia e não nos sentia tão jovens, tão crianças, tão pequenas, diante do tamanho da vida e seus percalços. Quando a notícia caiu no meu colo, toda a minha perspectiva mudou. A minha forma de ver o mundo, a vida, tudo aquilo que era tão sério pra mim até então, que me preocupava tanto... tudo ficou pequeno e mesquinho demais. E até hoje, tudo continua mudando de tamanho e de importância e seriedade.
Eu tenho uma concunhada (e amiga) que é psicóloga e trabalhou um tempo com as crianças da ala oncológica do Hospital das Clínicas, e num desses dias difíceis ela me disse que, num caso oncológico, toda a família e pessoas próximas do paciente são também pacientes. E isso fez muito sentido pra mim. Eu vivo cada dia, cada etapa do tratamento, cada passo, junto com a Thai. Cada conquista dela (e meu Deus, como ela tem conquistado) é uma conquista também pra mim. Ela tem a careca mais linda do mundo (embora ela nunca vá acreditar nisso) e a alma mais linda também. Ela tem uma força, uma alegria, um otimismo e uma coragem que beiram o inacreditável, e é uma coisa LINDA poder acompanhar de perto esse crescimento, essa luta, esse show que ela tá dando nessa doença ridícula. Como a Tata disse, ela já venceu, nós já vencemos. E nunca foi tão gostoso vencer" 

sexta-feira, outubro 14, 2011 6 comentários

Post da Mah I

Hoje a estrela do dia é minha amiga amada, responsável pela existência desse blog.
Sem as aptidões internéticas dela, eu não teria me animado para começar. É uma das pessoas que me traz  força e as lembranças dos nossos momentos juntas, me faz pensar que vale a pena seguir em frente. Por essa razão, tomei a liberdade de postar uma fotinho nossa da vida real para ilustrar o texto dela.
Mayara de Paula, só tenho que te agradecer por tudo. 
Te amo, amiga.

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."
É com essa frase clichê que eu - como mera colaboradora do blog hahaha - começo meu post. 
Nao vou escrever aqui sob o ângulo da paciente, que eu não sou. 
Tampouco tentar descrever as sensações/pensamentos da minha amiga, 
afinal essa tarefa ela já está desempenhando (magistralmente). 
Eu sou a pessoa que está do outro lado.


Cheguei por último entre elas, falando devagar (já mudei), com o coração pela metade, um pedacinho aqui e outro no interior. 
Fui ficando. Conhecendo. Me apegando. E sem avisar, o que antes era meramente informal, se tornou essencial. 
Minhas melhores amigas. No plural mesmo. Cada uma com sua personalidade distinta e ímpar.
Eu sou daqueles que acreditam que amor é pra ser distribuído! Tem espaço pra elas aqui.


Daí que os dias iam passando, sem muitos sobressaltos. As gargalhadas ganhavam disparado das lágrimas. 
O score estava patético pro time da tristeza.
Não que a vidinha da gente fosse perfeita. Não era. Jamais será (human beings!).
Mas pra mim, o placar estava ótimo. Pra tudo se dava um jeitinho, um jantarzinho, um vinhozinho...
Até que entre uma aula e outra (sou vestibulanda novamente) meu celular tocou e eu, que sou do time das mensagens de texto, 
pensei: "Mas porque a Flor tá me ligando???"
Quando eu atendi, notei que a voz dela estava diferente. Era uma tom que eu nunca tinha ouvido. 
Ela disse: "Amiga, eu tenho uma notícia pra te dar. Fica calma, tá?"
Pois é. Eu não fiquei calma.


Eu não fiquei calma por muitos dias.
Os estágios que se sucederam seriam até engraçados se não estivessem acontecendo comigo e com a minha amiga.
Primeiro eu pensei: "Mas que brincadeira de mau gosto é essa?"
Na mesma hora amaldiçoei a pessoa que mora lá em cima e fiquei pensando em quem seria o responsável pelo setor das notícias-sem-noção.
Nesse momento, câncer era só uma palavra, substantivo masculino, singular (Alô, vestibular!).
Depois, a frase começou a fazer looping no meu cérebro: "A Thai está com câncer. A Thai está com câncer.³"
Assim, infinitas vezes. 
Aí começou a fazer sentido. E aí eu comecei a chorar.
Pedi licença e saí da sala de aula. Fui pra casa me permitir chorar todas as lágrimas que eu quisesse.
E gritar pro mundo o quando ele era injusto, sujo, cruel.


Depois eu fui tentar barganhar com Deus. 
Ofereci umas coisas pra ver se ele devolvia a saúde da minha amiga, mas até agora não obtive resposta. 
E as propostas até que eram boas...
Chorei de novo, mas lágrimas não amenizam angústia.
Essa parte dura um tempão. Eu não achava ninguém pra por a culpa!
Até que eu finalmente entendi que certas coisas simplesmente acontecem e não 
vai haver um culpado, por mais que eu procure, não existe. São as tais fatalidades da vida.
Quem inventou isso? Eu mato! (Maturidade, beijos.)

Quando eu me senti forte, veio o outro estágio "Meu Deus, o que eu vou dizer dizer pra ela?"
Essa parte é curiosa. Ao mesmo tempo em que é uma das suas melhores amigas, a de sempre, que você já viu de pijamas, sem maquiagem, dividiu o copo de coca-cola, a tela do notebook, o pedaço do travesseiro... Dá um certo receio, um medo de falar algo errado. 
É a urgência em confortar, mas ela vem de forma desajeitada.
A situação é nova pra todo mundo. E aí nos enchemos de dedos, pensamentos de mais, ações de menos.
Eu mandei uma mensagem tímida, clichê, com umas frases prontas, que depois de enviada eu pensei
"Sua anta! Precisava ter sido tão brega assim?"
Não sei se foi pouco, não sei se acalentou, não sei se faltou presença física.
E nem quero que haja uma "próxima vez" pra eu testar um método diferente.
Eu sei que foi o que de melhor sobrou em mim, foi o que de mais carinhoso eu tinha naquela hora.


Depois de alguns dias, nós nos encontramos.
A palavra "câncer" parecia um fantasma, um mau agouro. Era como se fosse uma fumaça que estava ali nos espreitando. 
Ninguém queria falar sobre isso abertamente, mas era preciso exorcizar o fantasma.
Afinal, se aquele assunto fosse tabu entre nós, a amizade não teria sentido algum.
E entre assuntos banais, finalmente conseguimos falar sobre a doença. De forma natural, sem dramas, sem exageros. 


Eu admirei a minha amiga. Eu achei lindo a forma como ela estava conduzindo tudo.
A força, a determinação, a coragem. Quando ela disse que havia escolhido viver, 
eu acreditei que tudo ia ficar bem. É nisso que eu vou continuar acreditando.
A brutalidade do tratamento, a crueldade da doença, os efeitos colaterais, nada disso vai transpassar o escudo. 
Estamos todas à postos pra qualquer batalha. Sobretudo ela.


O time da tristeza não conseguiu virar o placar. Saber rir de si mesmo, enxergar as situações com todas
as suas nuances, ser multifacetada, isso nós fazemos bem. É uma virtude.
Eu acredito muito que a vida nos dá oportunidade de escolher àqueles que queremos por perto.
São pessoas que acrescentam, nos somam, pra no final termos histórias bonitas pra contar.
Enquanto isso, a vida começa a cada instante e não se deve olhar pra trás nem se lamentar.
É lutar com as armas que se tem, descer pro playground e brincar sem medo de ralar o joelho.


Minha amiga é dessas.
E eu encontrei o meu lugar, junto delas. 


Amiga, você é meu orgulho, meu exemplo, um dos motivos pelo qual sorrio. 
"Se tu vens às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz."

Te amo muito.

Mayara
sexta-feira, outubro 07, 2011 2 comentários

Post da mamãe I.

Hoje resolvi fazer uma coisa diferente!
Resolvi pedir para uma pessoa escrever aqui. A primeira de muitas outras pessoas que vão escrever aqui, porque minha mente não tem tanto espaço assim para criativade. Alô, Ctrl + C, Crtl + V!
E quem inaugura esse espaço é minha mãe linda e fofa. (lágrimas!).

 
"Hoje resolvi postar pela primeira vez.
Quero deixar registrado aqui o quanto corajosa, batalhadora e alto astral esta menina é.
Sempre a vi muito frágil, criada cheia de dengos,mimos e vontades, me surpreendi com a força 
interior desta guerreira, ela nos deu uma lição de fé, força e valentia.
Tem enfrentado cada momento, cada fase do seu tratamento com tamanha força e coragem que nos fez ver o quanto é gigantesca.
Aprendo todos os dias e me apóio na sua segurança para superar junto, cada nova etapa.
Por trás desta fragilidade, existe uma guerreira!
Thai, desde que Deus me presenteou com aquele bebê lindo, loiríssimo, grandes olhos azuis (que depois ficaram verdes), eu sabia que seríamos parceiras para sempre, sabia que teria grandes momentos a teu lado, sabia que nossa amizade e nosso amor superaria qualquer problema...não estava enganada, tenho certeza que estaremos juntas sempre, em qualquer situação e em todos os momentos de nossas vidas, nos apoiando e cuidando uma da outra até eu ficar bem velhinha e virar uma filha (igual a vó Amélia) precisando dos teus cuidados.
Estou com vc agora e sempre, minha guerreira!
Agradeço todos os dias a Deus pelos amigos  maravilhosos que nos dão tanta força e pela família linda que temos e tem nos apoiado sempre.
A sua luta é a NOSSA luta, juntos e com as forças unidas JÁ VENCEMOS!"
 
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