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segunda-feira, junho 04, 2012 5 comentários

Coisas que não mudam.

A gente costuma falar das coisas que mudaram com a chegada e partida da doença, mas hoje eu estava pensando em algumas coisas que não mudaram. São aquelas coisas que fazem nossa identidade tão única e tão forte que nada no mundo é capaz de alterar.
Então essa é a minha listinha:
1) Apesar de todos os percalços, eu não deixei de ser vaidosa, nem de me cuidar, me pentear (!) e gostar de mim. Até quando eu estava careca, fazia escova. Colocava a peruca na cabeça e escovava com o secador. O barulho do secador faz parte de quem eu sou.
2) Eu continuo sonhando acordada

3) Os rótulos dos meus perfumes ainda ficam posicionados na diagonal nas prateleiras do meu banheiro.
4) Filmes, livros, novelas e seriados são e sempre serão meus bons companheiros.
5) Eu amo cheirinho de amaciante. Na roupa, no lençol ou na toalha, não tem nada melhor do que aquela sensação de limpeza.
6) Ainda sou uma formiga: viciada em doces, brigadeiro, sorvetes, chocolates, cupcakes, macarons, doce de leite, amooooo!!

7) Sou implicante e teimosa, confesso! (O Guilherme quem diga).
8) Amo viajar. Para todo e qualquer lugar. Queria passar a vida viajando.
9) Sou preguiçosa e amo dormir.
10) E principalmente, eu continuo sendo otimista. Nem a pior perspectiva conseguiu amargurar meu coração.

Esse é o meu jeitinho. E você, já pensou em coisas que fazem você ser quem é?

Beijos, 
Thai
domingo, maio 13, 2012 2 comentários

Dia das mães

Hoje eu vou aproveitar o dia das mães e falar de duas mulheres.
A primeira é minha mãe. Nossa ligação sempre foi muito forte, mas quando descobrimos o câncer, essa ligação se tornou inexplicavelmente maior.
Se é para falar de momentos tristes relacionados a presença dela nessa saga, eu só me lembro de dois: no dia em que meu pai me deu a notícia e ela desceu as escadas de casa com o rosto todo inchado de tanto chorar e outro quando a gente conversou sobre a cirurgia e eu tive uma reação aos gritos e lágrimas de desespero/raiva/medo e parecia que eu estava descontando tudo nela (mas não estava) e depois ela veio me pedir desculpas e eu senti peso na consciência por estar sobrecarregando tanto essa mulher tão pequenininha. Não dá para acreditar no tamanho do amor da minha mãe. 
Mas nós tivemos muitos momentos de descontração, de força, de união. A gente sempre deu um jeito de rir nas salas de espero dos consultórios/clínicas/hospitais, por um motivo ou por outro a gente dava um jeito de rir, mesmo nos momentos mais complicados.
Se eu fosse descrever essa baixinha, não poderia ser diferente: Dona Tata é o amor da cabeça aos pés.
É uma grande honra ser sua filha, mãe. Tenho certeza que ficaremos sempre juntas nessa vida e em todas as outras. Te amo mais que o mundo inteiro!
Meu aniversário 2009, as duas maravilhosas e eu (em uma versão gordinha).
A outra mulher que eu vou falar hoje sou eu!
É difícil demais explicar a certeza que eu sempre tive, desde que eu me conheço por gente: quando eu crescer, quero ser mãe. Eu já tenho o nome dos meus filhos escolhidos, nem sei desde quando.
Sempre quis ser mãe. E ainda quero.
A doença me nocauteou. Tiveram momentos que eu achava que tudo o que eu passei seria capaz de tirar os meus sonhos. Na verdade, eu acho que em dado momento isso aconteceu! Mas a diferença é que eu não me deixei abater. Nada é maior do que a minha vontade de ser mãe.
Outro dia eu li em uma revista: "Quando o desejo de uma mulher de ser mãe é forte, não importam os meios, ela se torna mãe!!".
E eu acredito muito nisso.
Espero que um dia eu seja para alguém dez por cento do que a minha mãe é para mim.

P.S: Esse foi o post que eu fiquei mais emocionada para escrever durante todo o blog. Nó na garganta demais.
quarta-feira, março 28, 2012 2 comentários

Noção, cadê?

Felizmente hoje fiz a terceira e penúltima sessão de braquiterapia, ou seja, semana que vem acaba. Tenho consulta com o oncologista na segunda-feira dia 09 de abril, depois da Páscoa e se tudo der certo, vou poder levar minha vida sem entrar em um hospital/consultório/clínica durante pelo menos três meses. Viva!
Mas vou contar uma história: hoje eu acordei de bom humor. Ontem minhas amigas e eu nos encontramos a noite, comemos uns queijinhos gostosos, conversamos sobre coisas boas da vida e demos risadas. Apesar de estar super frio em Curitiba pela manhã, eu estava feliz com a vida, mas eis que surge uma pessoa para me trazer irritação.
Eu estava sentada no hospital esperando chegar a minha vez, quando uma mulher veio falar comigo. Perguntou se eu fazia radio onde eu tinha feito e disse que me reconheceu, que ela me viu uma vez lá.


Repito: a querida me viu uma vez. E sabe como ela tentou puxar assunto? Ela disse: "Mas você engordou, ?".
Gente, só ouvi cataploft, o som da minha cara caindo no chão. Como assim engordei?? Quando eu estava indo na radioterapia, estava pesando pelo menos 2 quilos a mais, desde que começou o tratamento eu nunca estive menos gorda e aquela anta quadrada veio se aproximar de mim para dizer isso.
 Fiquei super chateada. Poxa, se você quer puxar assunto com alguém e não sabe o que falar, fala do clima, da novela nova, do preço do chuchu, fala qualquer coisa!! Mas em hipótese nenhuma, nunca, jamais diga que a pessoa engordou. Principalmente se essa pessoa for uma mulher (se ela ficou careca recentemente, então, nem se fale). E terminar a frase com "" só consegue piorar ainda mais. 
Enfim, virei de costas para ela, quase chorando, mas depois passou e minha mãe ficou rindo dos meus comentários irritados o resto do dia. O jeito é caprichar na dieta e mandar essa gente louca ir catar coquinho se houver próxima vez.

A noção dela foi parar no mesmo lugar onde está minha auto-estima. Tão escondido que a gente não consegue achar.
Ainda bem que temos essas fotos lindas e engraçadas que tiramos ontem, né meninas?
Amo vocês.

Beijos,
Thai.
quinta-feira, março 01, 2012 0 comentários

Macaco

Bom, como eu já disse no post anterior, essa semana está sendo um calvário o aguardo na clínica da radio. Não sei o que está acontecendo, mas o atraso está enorme e eu estou levando um chá de cadeira todo santo dia. Hoje estava me dando um siricutico!! 
Mas eu fiz vários amigos na clínica, várias vidas e experiências diferentes, muita gente com energia positiva transmitindo mensagens de otimismo. As vezes me aparece aquele povo que adora uma lamentação e diz que o câncer é terrível, que sua vida nunca mais vai ser a mesma, mas esse tipo de gente eu não quero perto de mim. Educadamente eu corto o assunto e não quero mais papo. 
Infelizmente não tenho tempo para colocar atitude positiva na cabeça de ninguém. Cada um enfrenta com as armas que tem e eu gosto de atrair gente que me ajude nessa luta e não que me puxe para baixo.
Quem sabe um dia eu não possa ajudar pessoas diferentes de mim, levando um pouco de conforto e otimismo?
Filhote.
Dai que para não pirar a cabeça, nada como uma boa ocupação: lanchinho com as amigas, almoço com outras amigas. Tudo ajudando o tempo acelerar.
Sem falar nas loucuras da minha mãe, que me fazem dar muita risada. Essa semana mandamos nosso cão no pet para um banho e tosa padrão. Quando buscamos o bichinho, o pêlo estava cheio de falhas e a mulher tinha cortado toda a saia do cachorro (que é um cocker spaniel), minha mãe ficou ALOCKA passou a mão no telefone e começou a reclamar: "Eu acabei de buscar o Jotinha ai no pet shop e vocês acabaram com o pêlo do cachorro. Ele está horroroso. Por que vocês cortaram a saia dele, ele está parecendo um MACACO. Eu estou revoltada!"
Gente, ela chamou nosso filhote de macaco. Coitadinho. Ele está mais feinho mas continua lindo.

Então é isso. Vamos em frente que só faltam 8.
Beijos,
Thai.
quarta-feira, fevereiro 29, 2012 4 comentários

10....9....8....

Eu teria motivos para reclamar da radio nesse estágio, mas não vou. As dores no rim da semana passada significavam uma infecção urinária, que doeu e me deixou meio abatidinha, mas já está resolvida.
Além disso, essa semana a coisa está complicada. Todos os dias tenho perdido mais de duas horas sentada na clínica esperando a minha vez, o que é muito chato. Mas hoje eu fiz a sessão 18/28, o que significa que só faltam 10 e já podemos começar na contagem regressiva, né?
Claro que depois tem mais uma etapa chata para cumprir (a braquiterapia), mas a gente faz de conta que não lembra. O que me deixa feliz é vencer etapas e quando terminarem essas 28 sessões, vai ser mais uma vitória.
Foto muito, muito antiga! Cabelão super loiro.
Esse blog anda parecendo mais um prontuário médico ultimamente, então só para não me estender na chatisse do day by day de uma paciente, vou dar uma dica do que estar por vir: a aposentadoria da peruca
Estou tomando todas as providências para deixar meu cabeção de lado para sempre nos próximos dias. Quando tudo der certo, posto mais detalhes, mas para bom entendedor meia palavra basta e vocês já devem estar sacando o que está acontecendo.
Fiquem felizes por mim porque se tudo der certo vou estar assinando minha alforria e quem é que não quer viver com liberdade?

Aguardem e verão.
Beijos,
Thai


quinta-feira, dezembro 29, 2011 4 comentários

2012, venha me buscar!

Bom, nos últimos dias perdi a vontade de escrever aqui no blog, porque queria tirar pelo menos uma semana de férias do tratamento e de todo o resto, mas isso é impossível.
Então, apenas para não passar em branco, vim escrever meus votos de renovação. Primeiro, o que desejo para a minha vida em 2012.
Quero que este ano que está se encerrando fique completamente para trás, quero um ano de luz, paz, amor e felicidade. Muitas risadas, muitas conquistas, viagens, jantares com as amigas, taças de espumante, muita massagem, muitos quilos a menos, filmes, livros e fotografias, muitos pedaços de pizza, cupcakes e sorvete com cobertura de caramelo. Dois mil e doze pode até ser um ano com muitas coisas iguais a todos os outros, mas com certeza será um ano diferente, onde acontecerão coisas que nunca aconteceram antes comigo, como por exemplo: estarei curada, farei mega hair e serei mais feliz do que nunca.
O que eu desejo para todos os outros, além de todo costumeiro amor, sucesso, paz e alegria? Eu desejo SAÚDE. Saúde de verdade. Um ano sem consultas médicas e sem exames para todos.
Dia 31 de dezembro às 11h59 eu já terei fechado a janela que 2011 abriu na minha vida. E essa janela eu nunca mais vou abrir de novo.
Feliz ano novo para todos e que 2012 seja O MELHOR ANO DE NOSSAS VIDAS.
Beijos,
Thai
quarta-feira, dezembro 14, 2011 16 comentários

Vinte e Seis Primaveras

Eu nasci em um sábado. Atrapalhei a formatura do pré do meu irmão. Parece que desde que eu nasci queria criar essa comoção. Eu era um bebê totalmente careca e meu pai conta indignado até hoje, que minha mãe colava lacinho com durex na minha cabeça. Quando ela tirava o durex meus únicos fios saiam junto, meu pai ficava bravo. Nesses vinte e seis anos de vida eu sempre comemorei meu aniversário, nunca fui muito fã de cantar parabéns, mas sempre aproveitei 14 de dezembro como uma desculpa para reunir pessoas maravilhosas e que eu amo demais.
Hoje é meu aniversário de vinte e seis anos e eu estou careca assim como em 14 de dezembro de 1985 - é uma pena que a fofura skinhead dure apenas até os seis meses de vida, seria muito mais fácil se eu ainda fosse linda carequinha. A diferença é que a minha falta de cabelos dessa vez é o sinal de uma luta dura, difícil, pesada.
Esses últimos dias de recuperação da cirurgia estão sendo péssimos, por isso estou sumida. Eu estou nervosa, mau humorada, triste, chorona. Gente, é horrível ficar com dor, sem poder andar, sem sair de casa, decorando a programação da Net inteira. E o cabelo, então? Essa porcaria não nasce. Não sei se está nascendo um pouco, mas não dá para enxergar por causa da minha loirisse. Foi uma semana que eu me senti absolutamente maltratada pelo tratamento. Dessa vez, eu senti o peso!
Para completar esse ciclo pós-cirurgico calhou de ter que tirar os pontos justamente hoje. Estou com medo de ir no médico, estou de saco cheio de sala de espera de oncologista. Enfim.... estou querendo terminar para sempre com isso mesmo.
 Sendo assim, meu objetivo do dia é apagar todos os momentos péssimos que eu já passei até aqui. Eu não ligo de ignorar toda a minha luta, eu prefiro esquecer todo o desespero que essa doença trouxe para minha vida e me lembrar apenas dos bons momentos dos últimos vinte e seis anos. E foram muitos.
O fato de ter tido câncer aos vinte e cinco e estar sofrendo muito no momento não diminuem uma vida de alegrias que eu tive. Uma vida de alegrias que eu tenho.

Em alguns momentos de revolta eu cheguei a pensar: "Eu queria ser qualquer outra pessoa, menos eu", mas isso foi bobagem, eu nunca desejei ser ninguém no mundo que não fosse eu mesma. Se eu fosse outra pessoa, eu jamais teria a família maravilhosa que eu tenho, nem os amigos sensacionais e o melhor namorado. Se eu fosse outra pessoa, eu não teria escrito uma história tão boa e tão rica em vinte e seis anos.
Se eu fosse outra pessoa, pode ser que eu não tivesse câncer, nem tivesse que passar por uma cirurgia como essa, nem tivesse perdido meus cabelos, mas com certeza, essa pessoa não teria um coração como o meu, tão cheio de amor, transbordando história. Transbordando VIDA!
terça-feira, dezembro 06, 2011 10 comentários

Cirurgia - Primeira Semana

Eu poderia ter postado antes, mas eu estou muito reclamona. Pensa que é fácil ficar ligada em um monte de caninhos e sem conseguir andar?
Gente, nunca nessa vida eu sonhei que o inferno da cirurgia fosse tão insuportável.
Fui internada na quinta-feira e passei a primeira noite na enfermaria do Hospital Angelina Caron e pensei milhões de vezes em como iria contar aqui todo o terror que foi ficar naquele lugar, mas desisti porque nenhuma palavra que eu falar vai retratar, então nem vou tentar. Só resumo dizendo que chorei do momento em que eu entrei no quarto até o momento em que eu fui para a cirurgia.
Quando fui levada para o centro cirúrgico até o momento em que eu cheirei aquele gás mágico, passei um nervosismo enorme, mas conversei com meu médico antes de iniciar, o que me deixou mais calma. Após duas anestesias acordei na sala de recuperação e depois fui para o quarto.
Sexta-feira foi um dos piores dias da minha vida. Muita dor, muito enjôo, muito calorão, não podia mexer, nem comer, nem beber água, vai dando um desespero.

Sábado, na primeira tentativa de comer, não deu muito certo. A primeira tentativa de levantar da cama, deu super errado, depois de dois desmaios tivemos que tentar mais tarde. Recebi visitas lindas, mas ainda estava muito debilitada, nem conseguia rir, porque doia. E dai então, aconteceu uma insanidade: EU ESPIRREI. Jesus, me salva!! Espirrar me fez ver todas as estrelas que eu nunca tinha visto na vida.
Domingo tudo foi muito diferente, eu me alimentei melhor e consegui levantar duas vezes, assisti a final do campeonato brasileiro e quando o Timão foi oficialmente campeão, comecei a chorar e percebi que queria tanto que tudo tivesse sido diferente. Se eu não estivesse no hospital, nós estaríamos comemorando o aniversário do meu irmão e ia ser um dia muito feliz, mas ao contrário, eu estava ligada em  um monte de fios, tomando remédio toda hora e sem poder levantar. Dai em diante, deprimi um pouco. Porra, Câncer, vai pro inferno!
Segunda tive alta e vim para casa e dai então a maior provação de força de todos os tempos: SUBIR ESCADAS.
Foi sofrido, mas cheguei aqui em cima. Estou de cama, sem poder levantar sozinha, dependendo da minha mãe para tomar banho, comer, beber água, levantar, trocar curativo. Está sendo uma semana tensa e estou com um humor muito duvidoso, por isso vim aqui só relatar que minha cirurgia deu certo, mas o preço é alto.
Volto com novidades só depois de sexta, quando me livrar dos canos e quiçá dos vinte pontos.

A luta continua.
Beijos, 
Thai

* Estou com carinha de feliz nas fotos né? Mas juro que não tinha a menor graça. Esse sorrisinho é fake. haha
quarta-feira, novembro 23, 2011 6 comentários

Vaza, Quimio!

O tempo é extremamente relativo. 40 minutos de massagem relaxante é pouco. 40 minutos na sala de espera do oncologista é uma eternidade.
Mas assim que fui chamada, a interminável ansiedade acabou. Após o exame, extremamente rápido, vieram as boas notícias. Foram ótimas notícias, para ser sincera. Foi o fim do câncer! A lesão do cólo do útero reduziu OITENTA POR CENTO. Repito: 80%!
A quimio foi suspensa, fim das células malignas. Vou dar mais enfâse: Acabou a quimio!!! Meu cabelo vai voltar a crescer essa semana já, nunca mais terei aquele gosto horrível na boca, nada de coceiras desesperadas. Chegaaaa!
Em três sessões, metade da programação inicial, eu acabei com essa maldição. Sou poderosa ou o que?? Não tenho como me expressar melhor do que usando as doces palavras da minha musa Beyoncé: WHO RUN THIS MOTHA????
Bom, a demora para fazer esse post foi em decorrência de que eu fiquei com a "Escolha de Sofia" nas mãos e passei dois dias bem apreensivos tendo que escolher entre opções que não me deixaram muito feliz, ou seja, não quis parecer ingrata, mas mesmo com a redução absurda do câncer, a minha situação ainda pode ser considerada um tanto quanto periclitante. E com certeza tem gente pensando: "Mas tá viva, isso que importa, por que querer tanto ter filhos?", mas eu tenho a resposta.
Sabe quando seus pais são pessoas tão maravilhosas e especiais e fizeram sua vida ser perfeita? Além disso fazem um trabalho tão bom na sua família, que você passa sua vida inteira querendo ser para alguém o que eles são para você?
Eu sei! Passei minha vida inteira querendo transmitir todo o amor que eu recebi dos meus pais para os meus filhos. E depois que encontrei o Guilherme, tive certeza que estava com alguém que faria um bom trabalho ao meu lado nessa missão. Eu acredito que serei uma ótima mãe e tenho certeza que ele será um ótimo pai.
Esse é o drama do momento, mas prefiro não falar nesse assunto, ok?
Então, passando por cima disso, vamos voltar a parte boa: encerrada a quimio, estamos apenas a um passo do fim. Quem quer comemorar??
Depois de estudar muito minhas opções, junto com as pessoas que eu amo, ficou marcada a cirurgia para dia 02 de dezembro e depois terei 30 sessões de radio pela frente. Claro que estou com medo, mas vou sofrer só dia 02, até lá.... vida normal. Depois da recuperação cirurgica, só festa.
QUEM FAZ RADIO PODE BEBER? NÃO EXISTE UMA BOA COMEMORAÇÃO SEM ESPUMANTE. 

E para finalizar esse post imenso quero agradecer do fundo do meu coração o pensamento positivo e oração de cada um de vocês. Sei que foram muitos e o mais importante, funcionaram!!!! Eu espero, um dia quem sabe, poder retribuir tudo de bom que eu recebi nesses três meses.
Eu sei que não falo muito de Deus por aqui, mas gente, vamos falar sério.... DEUS É LINDO OU É MARAVILHOSO????

A luta continua, e está muito perto do fim.
Beijos,
Thai

* Dessa vez coloquei fotos do meu acervo pessoal quando meu cabelo estava lindo e sedoso.... E agora ele vai voltar. Ufa!!!
terça-feira, novembro 15, 2011 6 comentários

Voz

Mesmo quando está tudo indo bem tem uma coisa que não me deixa em paz: é uma voz que fica dentro da minha cabeça. Sei lá quem comanda essa maldição, mas é alguém muito persistente. Mesmo quando estou feliz, me divertindo em uma festa de casamento animada, a voz fica lá dentro: "Peruca. Cirurgia. Exame de sangue. Quimioterapia. Dor". Solenemente, a gente a ignora, dá risada, conversa com todo mundo. Viaja para praia com o namorado. 
De repente, quando você está ali deitada ouvindo o barulho do mar e descansando, vem a voz de novo: "Coceira. Remédio para enjôo. Radioterapia. Careca. Aveloz. Oncologista". Não dá para ignorar, então fecho os olhos e peço em silêncio  para ela me deixar em paz. Mas ela não vai embora e dá o golpe final, berrando: "ADENOCARCINOMA INVASOR". Pronto, venceu! Me convenço que não posso esquecer nem por um minuto que tenho câncer.
Mesmo quando está tudo maravilhoso, ela não sai da minha cabeça.
Quero ser produtiva de novo, dormir às dez e meia da noite, poder fazer dieta, exercícios físicos, marcar programações, viagens, ficar deitada ouvindo o barulho do mar sem ouvir essa voz, mas qual seria o antídoto para afastar essa voz de vez da minha vida?
Apesar da voz na minha cabeça ser insistente, passei um ótimo feriado. Sacada com vista para o mar ao lado do namorado, nada pode tornar ruim: nem a voz, nem a chuva e o frio, nem os sintomas remanescentes da quimio da semana passada.

Dai, querido leitor, você olha as fotos acima e nota que estou usando peruca e lenço de uma vez só e pensa: "Nossa, como ela é fashion e antenada nas últimas tendências da moda!" ou então "Ficou complexada de vez e resolveu esconder a careca de verdade", mas não gente, acontece  que eu sai com a minha peruquinha para passear e de repente começou a garoar e não tinha outra opção de sobrevivência senão cobrir a peruca com o lenço para não desmanchar o penteado estático dela.
Acha que é fácil não ter cabelo de verdade? 
Aproveitando todo esse relax, tive a oportunidade de pensar bastante e descobri o que pode calar a tal voz. É super simples. O antídoto para calar para sempre essa perturbação se resume em três palavras: VOCÊ ESTÁ CURADA!

Enquanto esse dia não chega, a luta continua.
Beijos,
Thai.
quarta-feira, novembro 02, 2011 5 comentários

Tédio.

Desde que me tornei uma paciente, meu quarto virou meu Universo. E apesar de algumas vezes ser entediante olhar para essas quatro paredes a maior parte dos dias, a maioria dos dias da semana, eu gosto muito de estar nesse espaço.
Aproveito que durmo pouco, mas preciso de repouso, para colocar a leitura em dia e principalmente, assistir todos os seriados do mundo. Queria ter mais disposição para fazer coisas úteis, tipo arrumar o guarda-roupa, mas quando me dou conta o dia terminou e eu ainda estou deitada na mesma posição.
As vezes tenho a sensação de que a minha cama está fazendo um buraco com o meu formato, mas eu pretendo terminar meu tratamento antes que isso possa acontecer, ou então, corro o sério risco de ter uma crise interminável de tédio.
Amanhã vou fazer mais um exame de sangue (espero que não precise tirar sangue do meu pulso dessa vez!) para me preparar para encarar a terceira e última sessão de quimio dessa primeira etapa do tratamento. Depois de segunda-feira ficarei à deriva, aguardando a minha próxima consulta com o Dr. Luciano (só dia 21), para só então saber o que vai acontecer. Sei que ainda faltam alguns passos importantes até a linha de chegada, mas tenho certeza que estamos cada vez mais perto do fim. 
Não vejo a hora de meu cabelinho começar a nascer. Quando ele estiver espetado vou fazer uma festa temática para comemorar o retorno do meu ninho de sarará.

Enquanto isso, a luta continua!
Beijos,
Thai

*Fotos dos cantinhos mais particulares do meu quarto adaptados para essa fase do tratamento.

segunda-feira, outubro 24, 2011 3 comentários

Embarangamento.

O verbo "embarangar" não existe, tecnicamente falando. Se você procurar no dicionário, ele não vai aparecer. No entanto, a palavra "baranga" existe e significa: "mulher feia, muito ruim, sem valor, de má qualidade".
Sendo assim, resolvi inventar um significado para esse novo verbo, que passou a fazer parte da minha vida, a partir de agora embarangar existe e significa: "perde gradativa da beleza, mulheres que envelhecem e engordam em uma velocidade incrível, deixando o que é bonito para trás".
É inegável que o tratamento contra a doença tem essa tendência espetacular para arrasar com as mulheres, especificamente. Queda de cabelos, cílios e sobrancelhas. Uns quilos a mais. A peruca trazendo todo aquele aspecto Playmobil. (Está ai Britney que não nos deixa mentir!)

Não estou dizendo que antes eu fosse a sósia da Grazi Massafera, mas no momento, a situação não está das melhores. Com tantos fatores tentando me embarangar, tento compensar com mais maquiagem, umas roupas mais arrumadinhas, sei lá, estou tentando compensar com o que dá.
É difícil segurar a auto-estima, mas é um esforço necessário para não deixar a peteca cair e não esquecer que eu ainda sou eu.
O negócio é se apoiar em duas coisas: o amor do namorado, que mesmo quando você está de pijama e lenço diz que você é linda e a beleza interior. Digamos que não sou nenhuma Madre Tereza de Calcutá, mas até que sou bem bonitinha por dentro.

segunda-feira, outubro 10, 2011 9 comentários

Post sem título

Meu cabelo se foi.
Começou a cair e não parou mais. Junto com ele foram muitas coisas: minha tranquilidade em relação ao tratamento, meus outros pêlos do corpo todo, minha paz interior. E chegaram coisas novas: medo, dor, nó na garganta.
Começou a cair de pouquinho em pouquinho. Não tive nenhuma dorzinho no couro cabeludo, veio sem anúncio. Eu estava aguentando ver a queda dos fios. De repente, caiu um chumaço e eu me desesperei completamente. Aliás, ainda estou desesperada.
Durante todo o tratamento eu usei uma técnica simples: cada momento difícil, eu pensava nos melhores momentos da minha vida (os que já passaram e os que eu sonho com o dia que virão). Tomografia: Lucas e Giulia brincando na piscina. Dieta da Urografia: carinha de nervoso no Nicolas bebê. Anestesia: a felicicidade dos meus pais na minha formatura. Agulhada da quimio: primeiro beijo no meu namorado.
Mas dessa vez não consigo pensar em nenhum bom momento capaz de conter a minha tristeza. A cada fio de cabelo caindo da minha cabeça foi como se apagasse um momento de felicidade da minha memória.
Mesmo sabendo que esse dia iria chegar e a queda de cabelo ser uma tragédia anunciada, isso não significa que o sofrimento está sendo menor. A previsão da tragédia não redimi a dor que ela traz.
A cada tesourada nas minhas mechas loiras, eu sentia como se fosse uma tesourada dentro do meu coração.
Hoje, 10 de outubro de 2011 foi, sem dúvidas, o dia mais triste de toda a minha vida.
quinta-feira, setembro 29, 2011 3 comentários

A culpa é do Gianecchini!

Hoje eu tive um daqueles momentos. Aqueles momentos que a gente se olha no espelho e ODEIA estar vivendo um pesadelo acordada. 
Eu sai do banho e fiquei pensando que eu estava feia e precisava de maquiagem urgente, mesmo estando ainda com cabelos. Então, realizei que essa situação ia piorar e resolvi esconder a minha juba loira embaixo de um lenço. Fiquei por uns momentos fingindo que meu cabelo já tinha ido embora.
E resolvi me maquiar com o lenço, e me vestir com o lenço. Cabelos escondidos.
Esse foi um daqueles momentos que a gente deseja estar dormindo e só acordar quando já puder colocar um mega hair. Mas eu estou acordada e tenho internet em casa.

É só abrir o Globo.com e a gente se depara com o Gianecchini mostrando um sorriso de orelha a orelha apadrinhando crianças com câncer.
Dai que todo mundo considera um exemplo de superação e de força. E eu realmente acho que ele é. Eu adoroooo o Gianecchini, acho que ele está dando um show. Não só ele, mas famosos como a Hebe,  Marcia Cabrita (ainda vou falar muito sobre ela aqui!),  Ana Maria Braga, Patrícia Pillar e tantos outros, ajudam pessoinhas, como eu, a superar as fases mais difíceis do tratamento, mas isso não significa que eles não sofram.
Quando eu desanimo ou choro, ou digo que EU ESTOU COM ÓDIO, sempre tem alguém para dizer: "Não fica assim, você vai vencer!", "Não fica triste, mesmo sem cabelos você vai continuar linda!" ou qualquer outra coisa do gênero. E eu sei que as pessoas que dizem isso me amam, e as vezes as pessoas que dizem isso nem me conhecem muito bem, mas simplesmente não querem me ver triste, porque é tão óbvio que eu não merecia passar por isso, que qualquer um pode perceber e não quer me ver triste.
Mas gente, o luto tem mais do que cinco estágios.... ele tem uns trinta e cinco. E chorar, odiar, querer morrer, querer matar, são apenas alguns sentimentos que fazem parte desse processo. E eu tenho que passar por isso!
E certamente, o Gianecchini e todos os outros também tem que passar. 
Não é só porque mesmo careca ele continua lindo e sorridente, que ele não está querendo explodir de vez em quando.... isso faz parte do sofrimente de uma pessoa com câncer. E o fato de as vezes eu estar chorona ou para baixo não quer dizer que eu estou deixando a doença me vencer. Muito pelo contrário. Deixar ela me vencer seria muito mais fácil. Talvez eu não chorasse nenhuma vez.
Sendo assim, se você me ver triste ou chorando, não me peça para ficar feliz.... traz um lenço pra mim, porque eu vou precisar de muitos lenços até o fim dessa luta.

domingo, setembro 25, 2011 11 comentários

Primeira Sessão de Quimio - Antes

Resolvi que esse é o momento de falar de duas coisas: saldo até o momento + o que estou esperando daqui para frente.
Saldo até o momento
Desde o dia do resultado da biópsia, eu vivi uns 15 anos completos. Tudo aconteceu comigo!! Estou um pouco perdida no tempo. Mas eu acho que hoje é um dia importante, pois um ciclo se fecha. A primeira etapa, que consiste em diagnóstico, choque, exames e providências termina hoje. Não tem como negar que tudo está sendo mais do que difícil. Simplesmente, não existe palavra para certa para definir o sentimento que a doença causa na gente.
Mas eu estou quase preparada para começar a quimioterapia. Não posso dizer que não estou triste, e angustiada, porque não é verdade. Mas estou fazendo muito esforço para espantar os pensamentos depressivos que tentam me acometer. E estou sendo muito bem amparada.
Preciso fazer um adendo antes de continuar. Clichê, mas tenho que dizer que as pessoas que estão à minha volta são as mais maravilhosas do mundo, e eu quero falar especialmente de uma delas aqui hoje, porque injustamente ainda não mencionei a participação dele nesse processo todo.
Meu namorado, meu amor! Só sei que nunca vi uma pessoa ter tanta força para emprestar e ainda assim continuar intacta!Ontem eu disse para ele que se não é o meu próprio anjo, certamente é um enviado direto do meu anjo para a minha vida.
Conclusão antes da primeira sessão de quimioterapia: eu tenho câncer no cólo do útero e só. É ali que ele está localizado, essa maldição não chega nem um pouco perto da minha na alma. 

O que estou esperando daqui para frente
Estou com medo, gente. Estou chorando. Estou angustiada.Não posso dizer que estou bem no momento, porque não é verdade.
Na minha cabeça não para de passar a cena da Carolina Dieckman raspando a cabeça na novela das oito de uns anos atrás. E depois uma imagem da primeira mecha soltando do meu couro cabeludo e eu berrando. Eu escuto esse grito na minha cabeça o tempo todo.
Não me digam que a queda de cabelo é o "de menos". Não é. É o de mais!  É o símbolo do câncer. Quero meus cabelos aqui. Lindos, loiros e escovados. Como sempre foram.
E outra coisa que me deixa com as pernas bambas é pensar que eu vou perder meu apetite.
Pessoas sem apetite não tem vida social. Eu vou ao restaurante e enquanto todos comem um filé mignon, vou ter que tomar uma água com gelo para combater o enjôo. No, thanks!!


Tenho medo de ter uma VIDA DE EFEITOS COLATERAIS, ou seja, tenho medo de não ter vida durante o tratamento.

Amanhã é minha primeira sessão de quimioterapia (nunca pensei que fosse dizer isso) e é também aniversário de uma das minhas melhores amigas que eu amo demais, e que é dona de uma grande parte da minha lealdade e do meu coração, é uma verdadeira Flor. Não tem como nada dar errado em um dia que nasceu uma pessoa tão maravilhosa.
Então, torçam por mim! Estarei sentindo todo o amor e carinho de vocês.

Beijos,
Thai
segunda-feira, setembro 19, 2011 2 comentários

Consciência Corporal

Faz tempo que eu estou ensaiando para escrever sobre a consciência que passei a ter sobre o meu próprio corpo, pois essa é uma das novidades que essa doença trouxe para a minha vida.
Antes, eu poderia passar uma semana com dores nas costas e jamais iria perceber que existia alguma coisa de errado comigo. Na verdade, eu até perceberia, mas com certeza culparia a minha cadeira de trabalho ou até mesmo a minha profissão, que exige uma postura nada favorável.
Acontece que, eu teria a dor, ela andaria grudada nas minhas costas a semana inteira e, eu simplesmente não iria dar importância para ela. Eu não daria a menor “bola” para uma dorzinha. Eu não ligava para um pequeno sofrimento físico, afinal, eu era perfeitamente saudável.
Agora, eu passei a dar atenção ao meu corpo. Atenção aos sinais. Qualquer menor indício de dor ou similar, eu estou atenta. Hoje, uma dor nas costas significa muito mais para mim. Dor nas costas pode significar ovários inchados, útero deslocado, problemas renais.
É claro que a tendência a se tornar hipocondríaca também é uma novidade, mas o importante é perceber a existência desse amor-próprio que antes não existia (pelo menos, não de forma consciente). Eu me importo mais comigo e valorizo mais o meu bem-estar. Eu não sei até quando eu vou ter que conviver com esse tratamento difícil, então, eu prezo muito para que cada momento dessa batalha seja o mais confortável possível.
Todo esse processo doloroso (não só fisicamente), me fez perceber o quanto eu sou importante. Importante para mim. E o quanto eu gosto de ser quem eu sou e não quero que isso mude. Eu quero tanto continuar sendo quem eu sou, que não tem um único dia que eu não deseje “a minha vida de volta”.
Com isso tudo, eu descobri a necessidade de se amar e de se valorizar, pois isso pode salvar nossa vida, e principalmente, salvar nossa alma.
Hoje, eu me arrependo de cada consulta médica que eu perdi ou adiei porque estava ocupada demais e de cada dorzinha singela que eu ignorei porque não estava preocupada comigo. Mas daqui para frente, isso nunca mais vai acontecer.
Afinal, se eu não cuidar de mim, e se eu não me amar em primeiro lugar, como eu poderei sobreviver para cuidar ou amar as outras pessoas?
 
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