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segunda-feira, junho 25, 2012 1 comentários

Normal.

Vou contar uma historinha que aconteceu comigo alguns meses atrás.
Eu fiz a proeza de derrubar meu celular dentro da privada (sou linda!). Desliguei, sequei com o secador, mas não teve jeito, no dia seguinte estava apagado. Tive que ir na operadora tentar trocar o aparelho. A loja fechava as 18h e minha mãe e eu chegamos lá as 17h50. Tinha muita gente com senhas esperando, todos reclamando muito da demora, e nós chegamos e sentamos nas cadeirinhas. Detalhe: meus cabelos ainda não tinham crescido, e eu estava de lenço. 
A minha senha era normal, como dos outros clientes, mas depois que eu sai do balcão, a menina fez uma ligação para o pessoal do atendimento e em menos de 5 minutos chamaram a minha senha.
Claro que eu adorei, pois poupei bons minutos, mas depois percebi que ela havia me chamado antes, pois me considerou atendimento preferencial. Só pelo lenço, porque eu estava ótima no dia, não tinha nada de preferencial.
Eu, super feliz, em um final de semana em família. Normal!
Eu acho que muita gente perde tempo demais querendo se destacar da multidão, querendo fazer algo diferente, querendo "ser diferente".
Bom, no meu caso, depois de todos os acontecimentos, tudo o que eu mais quero é ser normal.
Não há nada mais gostoso do que ter uma aparência normal, cabelos normais, disposição normal, alimentação normal. 
Eu amo muito estar cada dia mais normal.

Enfim.... como é bom não pertencer mais a fila preferencial.
domingo, março 25, 2012 3 comentários

Quem se importa?

Vou começar o post contando uma coisa muito legal que aconteceu essa semana: a linda da Márcia Cabrita comentou aqui no blog. Na hora que eu vi, dei um grito de alegria. Foi muito especial para mim. Eu sou uma grande fã do trabalho dela como atriz e da postura dela em relação a doença.
Dando continuidade aos fatos, tivemos um final de semana super agitado. Muitos eventos e festas, o que me fez ter uma sensação enorme de normalidade.
Foi aniversário de oitenta anos do Vô Leo (vô do Gui) na sexta, almoço com a família dele e casamento (super festa) no sábado e aniver de um ano do Enrique hoje. Após vinte dias da colocação do mega hair, foram nesses últimos dias que eu senti a maior diferença que ele fez na minha auto-estima e principalmente, na minha vida social. Esse foi um investimento no meu bem-estar.
Almoço sábado.
E no meio de tanta gente, percebi uma coisa que faz bem para qualquer um: as pessoas se importam.
Todos que acompanharam a minha história direta ou indiretamente fazem questão de me perguntar se estou bem e o mais importante, sempre me dão uma palavra de conforto e fazem elogios.
É muito bom saber que não estamos sozinhos nessa caminhada. Além das pessoas que estão cuidando da gente de uma forma mais direta, fico muito feliz em saber que significamos algo para várias outras pessoas.

Ótima semana para todos.
Beijos (especialmente para aqueles que se importam!),
Thai


quinta-feira, março 01, 2012 0 comentários

Macaco

Bom, como eu já disse no post anterior, essa semana está sendo um calvário o aguardo na clínica da radio. Não sei o que está acontecendo, mas o atraso está enorme e eu estou levando um chá de cadeira todo santo dia. Hoje estava me dando um siricutico!! 
Mas eu fiz vários amigos na clínica, várias vidas e experiências diferentes, muita gente com energia positiva transmitindo mensagens de otimismo. As vezes me aparece aquele povo que adora uma lamentação e diz que o câncer é terrível, que sua vida nunca mais vai ser a mesma, mas esse tipo de gente eu não quero perto de mim. Educadamente eu corto o assunto e não quero mais papo. 
Infelizmente não tenho tempo para colocar atitude positiva na cabeça de ninguém. Cada um enfrenta com as armas que tem e eu gosto de atrair gente que me ajude nessa luta e não que me puxe para baixo.
Quem sabe um dia eu não possa ajudar pessoas diferentes de mim, levando um pouco de conforto e otimismo?
Filhote.
Dai que para não pirar a cabeça, nada como uma boa ocupação: lanchinho com as amigas, almoço com outras amigas. Tudo ajudando o tempo acelerar.
Sem falar nas loucuras da minha mãe, que me fazem dar muita risada. Essa semana mandamos nosso cão no pet para um banho e tosa padrão. Quando buscamos o bichinho, o pêlo estava cheio de falhas e a mulher tinha cortado toda a saia do cachorro (que é um cocker spaniel), minha mãe ficou ALOCKA passou a mão no telefone e começou a reclamar: "Eu acabei de buscar o Jotinha ai no pet shop e vocês acabaram com o pêlo do cachorro. Ele está horroroso. Por que vocês cortaram a saia dele, ele está parecendo um MACACO. Eu estou revoltada!"
Gente, ela chamou nosso filhote de macaco. Coitadinho. Ele está mais feinho mas continua lindo.

Então é isso. Vamos em frente que só faltam 8.
Beijos,
Thai.
sábado, novembro 19, 2011 6 comentários

Insônia e Solidariedade

Parte 1 - Insônia
Há 3 meses atrás eu não conseguia entender como uma pessoa podia ter insônia. Dormir é uma das melhores coisas da vida, como pode não conseguir dormir, não é?! Mas ultimamente não sei mais o que são noites de sono com qualidade .
Eu deitava na cama e em 4 minutos estava dormindo. Sem brincadeira. As vezes eu estava assistindo um programa de TV, deitava no comercial e dormia antes de voltar para o próximo bloco. Hoje eu levo 4 horas para dormir. Isso quando 4 horas são suficientes. Vira e mexe, olho para o relógio e já passou das 2 da manhã e eu acordada. Pode isso? Não, gente! Preciso das minhas noites maravilhosas de sono de volta (sem rivotril).
 Entre uma noite turbulenta e outra, resolvi ficar com dor de garganta/gripe. Que beleza, né? Tudo que eu precisava era que as belezinhas dos meus leucócitos resolvessem ficar preguiçosos e deixar essa porcaria de gripe entrar. E da-lhe anti-inflamatório, tosse, tosse, tosse, menos horas de sono.
O que importa é que nesse meio tempo ganhei uma NET HD no meu Universo quarto (beijo, pai), fui para o escritório, shopping com as fofas das minhas amigas, almoço com a minha quase irmã e minha afilhada linda e quando a gente menos esperava: dia 21 chegando a nossa porta, né?

Estou preparada? Sim, claro. Estou preparada para boas notícias. Mas vou confessor que estou com um medo de entrar no consultório do Dr. Luciano que só eu sei. E quem não teria medo de oncologista que atire a primeira pedra!

Parte 2 - Solidariedade
Então, depois de reclamar bastante, que não durmo, não tenho imunidade e estou tremendo nas bases, resolvi que era hora de me mexer do lugar e fazer a vida de alguém melhor. Entrei em contato com a responsável pelo trabalho voluntário na área de pediatria do Hospital Erasto Gaertner e me informei de como podemos ajudar as crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer nesse Natal.
Sendo assim, vou aproveitar esse espaço, que eu sei que é lido por muitas pessoas maravilhosas e vamos fazer juntos uma arrecadação de brinquedos e outros presentes para doar para a festa de Natal das crianças?

O negócio é o seguinte: a festa de Natal da ala pediátrica é dia 14 de dezembro (meu aniver!!!) e as arrecadações devem ser entregues até dia 12 no Hospital. Eu me comprometo a receber as doações de brinquedos e presentes para os adolescentes, ou para facilitar a vida dos preguiçosos ocupados, vocês podem me dar o dinheiro e eu farei a compra dos itens. 
Segunda fui informada, a maior necessidade são os presentes para adolescentes: bonés e camisetas tam. 16 para os meninos e agendas e produtos de beleza para as meninas (não comprem produtos capilares, pelo amor de Deus, meu povo!!!).
Espero que todos participem!! Quando olharmos para nossas árvores de Natal cheias de presentes, vamos nos lembrar que fizemos a nossa parte e transformamos essa data para alguém que realmente merecia ser presenteado.

Conto com vocês!
Beijos, 
Thai
domingo, outubro 30, 2011 2 comentários

Eu não acho graça.

Acontece sempre mas a gente simplesmente não percebe, piadas maldosas estão sempre respingando na internet, no facebook, twitter e etc. Normalmente são feitas por anônimos, e muitas vezes por humoristas fracassados e subcelebridades.
E acreditem, tem gente que ainda brinca com o câncer. Outro dia foi Danilo Gentili fazendo piada sobre a recuperação de Hebe Camargo. E desde ontem, muitas pessoas estão postando no facebook uma piadinha infâme sobre a doença do ex-Presidente Lula.

Eu sou anti-PT, sempre fui!!! Não gosto do Lula, nem de Dilma e nem de ninguém desse governo, adoro criticar o estado da saúde pública do país, apesar de eu simplesmente não preciso usar o SUS, mas não acho legal brincar com a doença de outra pessoa. 
Não é porque não gosto de uma pessoa que eu acharia graça em piadas desse gênero. Eu não tenho inimigos, mas mesmo que tivesse, com certeza não desejaria que essa pessoa tivesse uma doença, muito menos que essa doença fosse câncer.
Se o ex-Presidente vai se tratar no sistema privado de saúde, sorte a dele, eu também estou me tratando, sorte a minha. Nós temos mais chance de ter um tratamento mais efetivo e mais rápido, mas o sistema privado  também pode errar e ser ineficiente (para quem não sabe, um ano atrás eu fiz exames e tive um falso negativo, pois segundo meu médico, a doença já estava se desenvolvendo a mais ou menos dois anos).
Se você é uma pessoa anti-governo, se você acha que os políticos deveriam usar o SUS para constatar a ineficiência do sistema público, ok, mas fazer piada com o estado de saúde de uma pessoa que vai enfrentar uma guerra pela frente não é adequado (na minha opnião).
Além da quimioterapía, que é uma visita no inferno à parte, o Lula vai enfrentar uma cirurgia difícil, pode até perder a voz ou o paladar no tratamento, eu não acho a menor graça nisso e você? Ainda acha isso engraçado?
segunda-feira, outubro 03, 2011 3 comentários

A história dos outros.

Segunda-feira agitada.
Uma semana depois da primeira sessão da quimio e hoje eu fui providenciar meus cabelos novos (estou com uma certa raivinha do nome "peruca").
A gente sempre tem que contar um pouco da nossa história para as pessoas, mas tem muita gente que quer contar a história da prima, da vizinha, da colega, da irmã, da amiga da amiga, e eu escuto todas, mas algumas eu odeio ouvir. Outras me ajudam a lembrar que eu não estou sozinha nesse barco furado.

Hoje eu ouvi história de uma senhora que teve o primeiro câncer há 20 anos atrás e ele voltou várias vezes (odiei!). Ouvi a história de uma menina que raspou o cabelo no salão lotado em um sábado e TODOS CHORARAM (segurei o choro!). Ouvi história de uma menina que tacou tanta química no cabelo que o cabelo caiu e ela teve que raspar por pura burrice e depois colocar mega hair (dei graças a Deus ter nascido mais esperta que essa).
Mas principalmente, eu ouvi uma história da boca de uma personagem real. Tão real quanto eu.
Enquanto eu estava definindo a minha própria peruca (argh!), ela chegou para raspar o cabelo. Na verdade, ela ia cortar o cabelo e salvar para fazer a peruca dela, mas enfim, o dia dela ficar careca, triste e deprimida era hoje.
E nós conversamos uns dez minutos e eu tive tempo de descobrir que ela é uma professora universitária com emprego "full time" e que descobriu o câncer de mama dia 29 de agosto (dez dias depois de mim) e já fez três sessões de quimio. Mas ela faz uma por semana e ainda faltam nove semanais e mais não sei quantas com espaçamento de 21 dias antes de ela (talvez) poder operar.
Os exames iniciais dela não foram bons e ela vai precisar de um medicamento mais agressivo para ver se melhora o quadro. Já está usando um catéter e disse que a medicação é super ardida para entrar.
Dai que eu não fiquei triste por ela, porque ela não é triste por ela. Ela fala da própria história sem embargar a voz e levou uma câmera fotográfica para registrar o momento da carequice chegando.
Antes de ir embora eu desejei "Boa sorte!", porque não tem mais nada que se possa falar para uma pessoa como ela. Ela só precisa de sorte, porque força ela já tem.
Depois, eu marquei com a minha cabelereira de ir em casa tirar meus fios quando chegar a minha hora de perder eles, coloquei um (dos muitos) lenço novo na bolsa e voltei a trabalhar, porque tudo o que eu quero é isso. Viver minha vida.
terça-feira, setembro 20, 2011 9 comentários

As maravilhas da Graviola.

Uma coisa é certa: todo mundo tem uma receitinha caseira.
Olha, a sabedoria popular mostra a sua cara. Todas as pessoas que ficam sabendo da minha doença querem me dar uma receitinha IN-FA-LÍ-VEL.
Já me indicaram suplementos alimentares, sucos mágicos, uma gama de produtos naturais, simpatias, cirurgias espirituais, massagens, reikes, acupuntura, homeopatia e até centro de umbanda (oxalá!).
Muitas das receitas, eu estou usando. Principalmente as mais inofensivas, como o consumo adequado de alimentos, por exemplo: é importante o consumo de ferro durante a quimioterapia, porém, a melhor forma de absorção desse nutriente pelo organismo é a combinação dele com vitamina C. Ou seja, almoço de arroz e feijão, deve ser acompanhado de um suquinho de laranja (feito na hora, é claro!). Olho na dica, people!
Eu aderi alguns outros truques, porém, o que mais me chamou a atenção e que eu estou seguindo fielmente é a tal da graviola. Foi indicação de uma vizinha e amiga muito querida, que contou para minha mãe e inclusive, forneceu nosso primeiro suprimento de poupa.
Existem pesquisadores espalhados pelo mundo a fora, tentando loucamente comprovar a eficácia dessa fruta e a combinação do consumo de suas folhas para o combate ao câncer. Ainda não há evidência científica que ateste o potente efeito desse alimento na destruição das células malignas, porém, existem muitas pessoas entregando suas carreiras médicas nas mãos da graviola, jurando de pé junto que o efeito é quase milagroso.
Obviamente, todos que indicam a graviola, fazem ressalvas acerca de seu uso, pois o tratamento com as químicas não deve ser abandonado. Mas o fato de existir a mínima evidência de que o efeito do consumo da fruta e do chá da folha podem curar o câncer com 10.000 vezes mais potência que a quimioterapia, e o melhor, sem nenhum efeito colateral, já é razão suficiente para colocar fé na frutinha. (Vale conferir o vídeo do youtube com uma reportagem transmitida pelo Globo Repórter).
Além disso, o suco é gostoso e o chá é praticamente insípido. Não é sacrifício nenhum realizar o consumo diário da graviola e deixar ela agir fazendo o trabalho sujo, e principalmente, deixando meus cabelos exatamente onde eles devem estar: na minha cabeça!
sexta-feira, setembro 09, 2011 0 comentários

Solidariedade.

Esta aí uma coisa que eu ando despertando nas pessoas: SOLIDARIEDADE.
Todo mundo é solidário com uma pessoa que leva uma invertida dessas da vida. Todas as enfermeiras, secretárias e até médicas olham  par a minha cara de saúde (haja blush!) e perguntam: "Como foi que você descobriu?" ou "Mas você nunca sentiu NADA??".
E as respostas são sempre as mesmas e eu nem me canso de falar sobre isso, porque eu até gosto de sentir essa solidariedade, principalmente das mulheres, porque qualquer pessoa poderia estar no meu lugar.
Mas esse é o sentimento que se transforma em pena ou dó e isso eu não quero, de jeito nenhum.
Não quero ninguém olhando para mim e pensando: "Coitadinha dessa menina, tão cheia de vida e de repente está ai, passando por essa coisa hor-rí-vel!". Na realidade, tenho pavor de pensar que outras pessoas vão olhar para mim e pensar isso.
Eu odeioooooo imaginar alguém tendo dó de mim!
É claro que eu espero compreensão e solidariedade dos outros, mas não quero que ninguém perca o tempo me achando uma pobre coitada golpeada pelo destino.
Essa é uma linha tênue e contraditória. 
Por exemplo, quarta-feira eu estava em São Paulo e encontrei com a Lilian, minha amiga há 15 anos, que eu amo demais... e simplesmente, não tive coragem de contar para ela, olhando nos olhos dela, que eu tenho câncer. 
Eu jantei, conversei sobre vários assuntos, mas não mencionei o fato de que semana que vem eu vou começar a quimioterapia. Fiquei quieta, e estou pensando como vou contar para ela por e-mail.
Sabe por que? Porque eu não queria que ela olhasse para mim com dó. Não queria mais nenhuma pessoa no mundo sofrendo por minha causa. Já bastam meus pais, meus irmãos, cunhadas, namorado, amigas, avó (uma das minhas avós ainda não sabe!) e etc. Eu não queria que ela me olhasse com pena. eu não ia aguentar isso.
Em compensação, no dia seguinte, quinta-feira, fui na Embaixada Americana para tirar meu visto. Filas enormes, milhões de pessoas espremidas, calor, filas intermináveis. Quando eu vi uma grávida furar a fila, pensei: "É agora que eu chego naquela atendente com cara de boazinha e digo que tenho câncer e estou com muita dor, só para ela me passar na frente". Se ela ia me olhar com dó ou não, não me interessava. Eu só queria furar a fila. Mas dai, me dei conta que não ia colar, afinal, eu tenho uma cara saudável. (Graças ao blush! Mas ainda assim saudável).
Acabei pegando a fila e tendo tempo suficiente para me dar conta que eu sou forte demais, sempre fui, para aceitar estar em posição de inferioridade. E, por isso, é tão difícil acreditar que eu estou fazendo as pessoas a minha volta sofrer e que essas pessoas estão gastando toda a solidariedade que elas tem dentro delas, comigo. Mas ao mesmo tempo, esse é um sentimento que eu preciso. Então, vou deixar rolar... não posso impedir ninguém de sentir o que estão sentindo em relação a minha doença.
A parte mais engraçada, nisso tudo, é imaginar que daqui uns dois anos eu posso ser uma daquelas pessoas que dão depoimento no final do capítulo da novela do Manoel Carlos e fazer o Brasil inteiro chorar de pura solidariedade. (hahaha)
 
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