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segunda-feira, junho 04, 2012 5 comentários

Coisas que não mudam.

A gente costuma falar das coisas que mudaram com a chegada e partida da doença, mas hoje eu estava pensando em algumas coisas que não mudaram. São aquelas coisas que fazem nossa identidade tão única e tão forte que nada no mundo é capaz de alterar.
Então essa é a minha listinha:
1) Apesar de todos os percalços, eu não deixei de ser vaidosa, nem de me cuidar, me pentear (!) e gostar de mim. Até quando eu estava careca, fazia escova. Colocava a peruca na cabeça e escovava com o secador. O barulho do secador faz parte de quem eu sou.
2) Eu continuo sonhando acordada

3) Os rótulos dos meus perfumes ainda ficam posicionados na diagonal nas prateleiras do meu banheiro.
4) Filmes, livros, novelas e seriados são e sempre serão meus bons companheiros.
5) Eu amo cheirinho de amaciante. Na roupa, no lençol ou na toalha, não tem nada melhor do que aquela sensação de limpeza.
6) Ainda sou uma formiga: viciada em doces, brigadeiro, sorvetes, chocolates, cupcakes, macarons, doce de leite, amooooo!!

7) Sou implicante e teimosa, confesso! (O Guilherme quem diga).
8) Amo viajar. Para todo e qualquer lugar. Queria passar a vida viajando.
9) Sou preguiçosa e amo dormir.
10) E principalmente, eu continuo sendo otimista. Nem a pior perspectiva conseguiu amargurar meu coração.

Esse é o meu jeitinho. E você, já pensou em coisas que fazem você ser quem é?

Beijos, 
Thai
quarta-feira, maio 30, 2012 1 comentários

Atividade física pós-tratamento

Não é segredo para ninguém que o tratamento traz uma certa limitação física. Durante a quimio é inegável que o corpo fica limitado. A cirurgia, pior ainda e a radio traz outras limitações, o calor e sensibilidade da pele, não pode transpirar para não apagar a tinta, além de uma sensação de estafa (que eu sentia bastante).
Então, passado todo esse tempo difícil, com vários quilinhos a mais, chega um momento que não tem mais como escapar. Temos que voltar a mexer o corpinho.
Como disse outro dia, senti uma melhora muito grande na minha disposição e não deixei o trem passar: recomecei a academia e aproveitei a onda para fazer pilates também.
Estou animada e recomendo pilates para todo mundo. Primeiro porque é uma atividade que respeita o limite de cada um, além de ter um acompanhamento individualizado de um profissional fisioterapeuta e também porque dizem que o resultado é rápido e surpreendente. 
Ainda não vi o resultado, mas estou me dedicando bastante para ficar linda e mais enxuta.
Na primeira aula de pilates, a professora me colocou na máquina e mandou eu puxar as pernas para frente concentrando a força no abdômen. Aquilo me deu uma aflição: fiquei morrendo de medo de sentir uma dor na minha cicatriz (ou arredores), mas não senti nada, foi ótimo!
A única dor que eu sinto é no dia seguinte, mas é uma dorzinha de satisfação. A gente sente que o corpo está reagindo ao exercício.

Quando eu alcançar a minha meta de emagrecimento conto para vocês.
Enquanto isso, dedicação total.
Beijos, 
Thai
quarta-feira, março 21, 2012 3 comentários

Lição do dia

Lição do dia: a dor é relativa, assim como a felicidade. Mas a felicidade é muito bem-vinda e quando ela vem, a gente aceita, abre as portas, se enfeita e deixa ela entrar.
Hoje fiz a segunda sessão de braquiterapia e foi muito menos sofrimento. Só consigo pensar que tenho muitas programações maravilhosas: viagem com o namorado, viagem com as amigas, festival de teatro, casamentos, várias outras festinhas.
Mal posso esperar para poder curtir cada momento depois da "alta". Só de pensar que desde o dia 3 de janeiro eu estou dentro de clínicas, hospitais e consultórios praticamente diariamente, sem falar em tudo o que aconteceu ano passado, é um grande alívio saber que essa temporada vai acabar e as minhas férias estão chegando.
Um daqueles momentos que merecem ficar guardados na memória para sempre.

Eu sempre escrevo alta entre aspas porque todos sabem que a liberação de verdade é só daqui a cinco anos, mas mesmo assim, o que são exames trimestrais depois de toda essa bateria insana de tratamento? Fica bem mais fácil desligar um pouco o botão de "atenção!" por mais tempo e curtir a vida!!!

Só para ficar registrado, estamos passando por problemas dentro da família, pois a minha vó Amélia muito amada terá de passar por uma grande cirurgia e ficará internada por um tempo, mas eu jamais vou trazer essa preocupação e esse baixo astral para o blog. Tentarei continuar usando esse espaço para levantar as energias. Força para a vó que merece todo o amor do mundo.

Faltam duas semanas, people.
Beijos,
Thai.
quinta-feira, fevereiro 02, 2012 4 comentários

Resolução nº 1 - check!

Terça foi meu último dia no escritório pois resolvi que meu período de remissão, mesmo não tendo terminado todo o tratamento ainda. Quando falamos de remissão, correria com pastinha embaixo do braço e sala sem a luz do sol, não combinam! Então tomei a decisão de passar um tempo afastada da loucura da minha profissão (adv. para quem não sabe!) e me desligar um pouco.
Quando a gente vê que não tem tempo a perder na vida resolve mudar e para começar essa mudança, estou dando o primeiro passo com uma mega dieta (dessa vez é de verdade) e caminhadas no parque.

Hoje foi a primeira, no Jardim Botânico, aproveitando a beleza e o verde do parque e disputando lugar para caminhar com muitos turistas e muitas pessoas se exercitando.
O clima em Curitiba anda tão amigável essa semana, que não dá para acreditar. E o céu azul e o sol me dão muito mais disposição, por isso não dá para desperdiçar.
Daqui a pouco vou para a sessão de radio 6/28 e os efeitos colaterais ainda não começaram. Amanhã já é sexta-feira com previsão de calor e churrasco para o fim de semana. Sendo assim, nada está ruim.
Resolução para o fim do câncer nº 1 - concluída!

A luta está chegando ao fiiiim =)
Beijos,
Thai
terça-feira, janeiro 17, 2012 6 comentários

Radioterapia, eu digo não!

Oi pessoal, eu sumi mesmo, mas tenho uma explicação: enquanto para a maioria das pessoas, esse foi um período de renovação e descanso, para mim foi de decisões complexas e a tentativa de finalização de um ciclo. Enquanto todos se bronzeavam tomando uma água de coco ao som de Bob Marly, eu estava correndo de uma consulta médica para a outra. E ainda não acabou. Até o momento foram seis consultas em 11 dias úteis de 2012.

Bom, nesse vai e vem acabei me informando sobre todos os efeitos colaterais da radioterapia a curto e longo prazo. E principalmente, questionei a efetiva necessidade de fazer o tratamento da radio na região da cirurgia, tendo em vista a total retirada do local afetado e também a completa ausência de células neoplasicas na biópsia. Me deparei com duas correntes médicas diferentes e praticamente opostas e estou sofrendo bastante para tomar a minha decisão.
Resolvi não fazer a radio. Mas calma, gente! Não sou louca, eu juro.

Vou explicar: minha decisão foi fundamentada e eu levei em consideração as opiniões médicas diversas. Porém, a radioterapia, em nenhum momento foi considerada uma garantia que a doença não vai voltar nunca mais. É uma decisão super difícil e mais uma vez eu me sinto testada. Parece uma provação (e provavelmente é).
Veja bem, pode parecer que eu estou "colocando nas mãos de Deus", ou então "contando com a sorte", ou encarando a filosofia do "se tiver que ser vai ser", mas não é verdade. Eu estou tomando uma decisão fundamentado em opiniões médicas diversas e além disso, com base no resultado dos meus exames.
O meu médico é uma pessoa difícil, ele não olha para mim e enxerga um ser humano que tem uma vida ótima, 26 anos e pretende viver muitos anos com qualidade de vida. Ele apenas pensa no problema preto no branco e não se preocupa com efeitos colaterais. Ele só enxerga câncer e mais nada.
Pensando por esse lado, estou cada vez mais convencida de que eu estou tomando uma decisão correta, afinal quando a gente pensa em prevenção cogita em tomar capsulas de Ômega 3 ou Vitamina B12, não em encher o corpo de radiação.
Para resumir, ainda vou ter que comunicar ao meu oncologista minha decisão final, ele vai me fazer chorar de novo (e provavelmente, vai me fazer pensar que eu vou morrer de novo), mas daqui para frente eu quero reassumir o comando da minha vida.
Meus lindos cabelinhos loiros estão nascendo com força total e daqui uns meses eu estarei linda e com meus próprios fios de novo e definitivamente. Assim, eu espero!!!

Beijos,
Thai
quarta-feira, dezembro 14, 2011 16 comentários

Vinte e Seis Primaveras

Eu nasci em um sábado. Atrapalhei a formatura do pré do meu irmão. Parece que desde que eu nasci queria criar essa comoção. Eu era um bebê totalmente careca e meu pai conta indignado até hoje, que minha mãe colava lacinho com durex na minha cabeça. Quando ela tirava o durex meus únicos fios saiam junto, meu pai ficava bravo. Nesses vinte e seis anos de vida eu sempre comemorei meu aniversário, nunca fui muito fã de cantar parabéns, mas sempre aproveitei 14 de dezembro como uma desculpa para reunir pessoas maravilhosas e que eu amo demais.
Hoje é meu aniversário de vinte e seis anos e eu estou careca assim como em 14 de dezembro de 1985 - é uma pena que a fofura skinhead dure apenas até os seis meses de vida, seria muito mais fácil se eu ainda fosse linda carequinha. A diferença é que a minha falta de cabelos dessa vez é o sinal de uma luta dura, difícil, pesada.
Esses últimos dias de recuperação da cirurgia estão sendo péssimos, por isso estou sumida. Eu estou nervosa, mau humorada, triste, chorona. Gente, é horrível ficar com dor, sem poder andar, sem sair de casa, decorando a programação da Net inteira. E o cabelo, então? Essa porcaria não nasce. Não sei se está nascendo um pouco, mas não dá para enxergar por causa da minha loirisse. Foi uma semana que eu me senti absolutamente maltratada pelo tratamento. Dessa vez, eu senti o peso!
Para completar esse ciclo pós-cirurgico calhou de ter que tirar os pontos justamente hoje. Estou com medo de ir no médico, estou de saco cheio de sala de espera de oncologista. Enfim.... estou querendo terminar para sempre com isso mesmo.
 Sendo assim, meu objetivo do dia é apagar todos os momentos péssimos que eu já passei até aqui. Eu não ligo de ignorar toda a minha luta, eu prefiro esquecer todo o desespero que essa doença trouxe para minha vida e me lembrar apenas dos bons momentos dos últimos vinte e seis anos. E foram muitos.
O fato de ter tido câncer aos vinte e cinco e estar sofrendo muito no momento não diminuem uma vida de alegrias que eu tive. Uma vida de alegrias que eu tenho.

Em alguns momentos de revolta eu cheguei a pensar: "Eu queria ser qualquer outra pessoa, menos eu", mas isso foi bobagem, eu nunca desejei ser ninguém no mundo que não fosse eu mesma. Se eu fosse outra pessoa, eu jamais teria a família maravilhosa que eu tenho, nem os amigos sensacionais e o melhor namorado. Se eu fosse outra pessoa, eu não teria escrito uma história tão boa e tão rica em vinte e seis anos.
Se eu fosse outra pessoa, pode ser que eu não tivesse câncer, nem tivesse que passar por uma cirurgia como essa, nem tivesse perdido meus cabelos, mas com certeza, essa pessoa não teria um coração como o meu, tão cheio de amor, transbordando história. Transbordando VIDA!
quarta-feira, outubro 26, 2011 5 comentários

Compensação

Ai que coceira dos infernos! (ok, não tem nada a ver a coceira com o resto do post, mas não tinha como começar a escrever hoje sem reclamar dessa coceira. Estou me sentindo um poodle pulguento. Haja Allegra!!).
E por essas e outras razões, que nem preciso mencionar, é que eu fico tentando encontrar qualquer maneira de compensação. É um sistema bom e ruim ao mesmo tempo.
Quando a gente está para baixo, se achando feia, azarada, esquisita, escolhida ou magoada, compensar é bom. É simples: "Eu estou triste, quero meu cabelo de volta!", nada que um brigadeiro de panela com sorvete de creme não resolva, ou então, "Por que eu tenho câncer, meu Deus?!" e da-lhe vestidinho novo. Cartão de Crédito, para que te quero!

Maaaaas..... quando a gente acaba comendo brigadeiro demais acaba engordando demais, ou quando compra vestidinhos demais, acaba gastando demais e essas coisas não são boas. Então, até que ponto a compensação ajuda?
É difícil dizer, porque na ponta do lápis, nada é capaz de compensar as dores e o sofrimento que a doença traz. O fato de tomar Rivotril para dormir não quer dizer que o remédio te trouxe a paz de deitar a cabeça no travesseiro e dormir.
Eu acredito que a compensação é válida, porque durante o tratamento, o meu foco é não deixar a peteca cair e isso não é muito fácil, as vezes precisamos de uma ajudinha. E nada como um vestidinho para segurar a peteca lá em cima.

Mas o que adianta um closet lotado (como se eu tivesse um closet) e depois uma fatura de cartão impagável? Isso seria mais uma preocupação para minha vida e eu não quero.
Então.... é força na peruca para controlar os reais a menos e os quilinhos a mais, e tentar compensar saindo com as amigas, esmagando os sobrinhos, jantar com a família, dengos do namorado e quando eu me der conta, estarei acordando em 2012, quando tudo já estiver terminado (um sonho!).

Com brigadeiro ou sem, a luta continua.
Beijos,
Thai
quarta-feira, setembro 21, 2011 4 comentários

Querido cabelo,

Eu sei.... não adianta escrever essa carta para você. O que vai acontecer já está definido. Você já sabe se vai cair da minha cabeça ou não depois que começarmos a te bombardear de química.
Mas eu estou aqui para te pedir, implorar, suplicar para não cair. Por favor, fica comigo!
Eu peço desculpas por todos os dias em que eu gritei com você, desmereci você e te ofendi.
Quando eu disse que você era "horrível", lembra? Era mentira! Horrível sou eu por ter coragem de dizer um aburdo desses.

Você é lindo. É o cabelo mais lindo do mundo. Eu amo sua cor, sua textura, seu comprimento.
Eu amo até as ondinhas que você tem bem ao lado das minhas têmporas.
Você é tão especial que hoje eu decidi colocar uma foto sua aqui.
Cabelo, se você ficar, eu prometo te comprar melhores arquinhos, bons produtos e passar menos spray nos dias em que você ficar rebelde.
Quando alguém me perguntar: "O que você mais gosta em você?", eu vou responder sem pensar "MEU CABELO!!".
 Eu sei que se você se for, você vai voltar, afinal, nós sempre fomos muito unidos, mas mesmo assim eu não quero ver você partir. Vai ser muito doloroso e eu não sei se vou suportar.
Mesmo a sua partida temporária poderá me deixar sem forças para enfrentar essa luta.
Eu preciso de você. Me ajuda a passar por tudo isso, tudo será muito melhor se eu estiver em sua companhia.
Beijos,
Thai
segunda-feira, setembro 19, 2011 2 comentários

Consciência Corporal

Faz tempo que eu estou ensaiando para escrever sobre a consciência que passei a ter sobre o meu próprio corpo, pois essa é uma das novidades que essa doença trouxe para a minha vida.
Antes, eu poderia passar uma semana com dores nas costas e jamais iria perceber que existia alguma coisa de errado comigo. Na verdade, eu até perceberia, mas com certeza culparia a minha cadeira de trabalho ou até mesmo a minha profissão, que exige uma postura nada favorável.
Acontece que, eu teria a dor, ela andaria grudada nas minhas costas a semana inteira e, eu simplesmente não iria dar importância para ela. Eu não daria a menor “bola” para uma dorzinha. Eu não ligava para um pequeno sofrimento físico, afinal, eu era perfeitamente saudável.
Agora, eu passei a dar atenção ao meu corpo. Atenção aos sinais. Qualquer menor indício de dor ou similar, eu estou atenta. Hoje, uma dor nas costas significa muito mais para mim. Dor nas costas pode significar ovários inchados, útero deslocado, problemas renais.
É claro que a tendência a se tornar hipocondríaca também é uma novidade, mas o importante é perceber a existência desse amor-próprio que antes não existia (pelo menos, não de forma consciente). Eu me importo mais comigo e valorizo mais o meu bem-estar. Eu não sei até quando eu vou ter que conviver com esse tratamento difícil, então, eu prezo muito para que cada momento dessa batalha seja o mais confortável possível.
Todo esse processo doloroso (não só fisicamente), me fez perceber o quanto eu sou importante. Importante para mim. E o quanto eu gosto de ser quem eu sou e não quero que isso mude. Eu quero tanto continuar sendo quem eu sou, que não tem um único dia que eu não deseje “a minha vida de volta”.
Com isso tudo, eu descobri a necessidade de se amar e de se valorizar, pois isso pode salvar nossa vida, e principalmente, salvar nossa alma.
Hoje, eu me arrependo de cada consulta médica que eu perdi ou adiei porque estava ocupada demais e de cada dorzinha singela que eu ignorei porque não estava preocupada comigo. Mas daqui para frente, isso nunca mais vai acontecer.
Afinal, se eu não cuidar de mim, e se eu não me amar em primeiro lugar, como eu poderei sobreviver para cuidar ou amar as outras pessoas?
 
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