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segunda-feira, abril 02, 2012 1 comentários

Vó Amélia.

Eu poderia passar horas escrevendo sobre a morte, mas não quero. A melhor palavra para definir a partida da minha avó é SAUDADES.
Não vou escrever mais sobre tudo de maravilhoso que ela me deixou de legado e nem falar de seus valores morais incomparáveis. Vou só aproveitar este espaço aqui para elogiar a salada de frutas que ela fazia, era deliciosa. E dizer que vou morrer de saudades do jeito que ela falava que o "suco de laranja está cor-de-rosinha", e do quanto ela gostava de roupas coloridas, ficava linda de pink e oncinha e sentir falta de chamar ela de "veinha".
Dia das mães 2011
Já estou sofrendo por não ter mais a certeza que às 17h00 ela estará na sala assistindo ao programa da Cristina e do cheiro bom dela, porque amava cremes e perfumes. 
Não queria viver no mundo onde não existe ela sempre me perguntando se a roupa estava boa e pintando a unha de vermelho. 
Existem tantas memórias lindas sobre a minha avó, e por isso não vou associar a partida dela a nenhuma doença, dor ou sentimento triste.
Sempre vou me lembrar dela pedindo para encher o copo só "até menos da metade" e colocando mais de 15 gotas de adoçante no copo de suco.

A saudade é incurável. Tenho certeza que quando chegar a minha vez de ir, ela será a primeira a me receber com um sorrisinho discreto no rosto. Que linda!
quinta-feira, março 15, 2012 7 comentários

Tchau, radio.

Não gosto de dar detalhes sórdidos aqui no blog. Não falo sobre o sofrimento na prática. "Doeu aqui", "machucou ali", "passei mal", esse tipo de coisa eu não especifico porque acho que não acrescenta nada, então vou resumir a minha primeira sessão de braquiterapia (ontem) em uma simples frase: estou traumatizada!
Um dos horrores do tratamento, mas como disse que não iria entrar em detalhes sórdidos,  eu não vou.
Hoje foi minha última sessão de radioterapia (28/28). Que marca hein, pessoal! Foi uma caminhada longa e trabalhosa, mas que chegou ao fim. Sem a pele escurecida, controlando os efeitos colaterais da melhor forma possível, lutando sempre de cabeça erguida. Mais uma vitória!!
Faixa de renda para usar nas festinhas.
Para me recuperar do trauma fui ao shopping com as amigas do coração, mas não gastei nada e não me matei no fast food. Milagrosamente controlei o desejo de compensar o sofrimento com compras ou comida.
Só adquiri algumas novas faixinhas de cabelo para disfarçar as colas do mega hair. A mais linda e menos escandalosa vou estreiar hoje em um jantar de formatura que estou indo com o namo.
É uma pena que é dia de semana e não dar para compensar no espumante.(hihihi)

Rumo ao fim. Mais três braquis (medo!!!!) e a tão esperada "alta".
Beijos, 
Thai
quarta-feira, dezembro 14, 2011 16 comentários

Vinte e Seis Primaveras

Eu nasci em um sábado. Atrapalhei a formatura do pré do meu irmão. Parece que desde que eu nasci queria criar essa comoção. Eu era um bebê totalmente careca e meu pai conta indignado até hoje, que minha mãe colava lacinho com durex na minha cabeça. Quando ela tirava o durex meus únicos fios saiam junto, meu pai ficava bravo. Nesses vinte e seis anos de vida eu sempre comemorei meu aniversário, nunca fui muito fã de cantar parabéns, mas sempre aproveitei 14 de dezembro como uma desculpa para reunir pessoas maravilhosas e que eu amo demais.
Hoje é meu aniversário de vinte e seis anos e eu estou careca assim como em 14 de dezembro de 1985 - é uma pena que a fofura skinhead dure apenas até os seis meses de vida, seria muito mais fácil se eu ainda fosse linda carequinha. A diferença é que a minha falta de cabelos dessa vez é o sinal de uma luta dura, difícil, pesada.
Esses últimos dias de recuperação da cirurgia estão sendo péssimos, por isso estou sumida. Eu estou nervosa, mau humorada, triste, chorona. Gente, é horrível ficar com dor, sem poder andar, sem sair de casa, decorando a programação da Net inteira. E o cabelo, então? Essa porcaria não nasce. Não sei se está nascendo um pouco, mas não dá para enxergar por causa da minha loirisse. Foi uma semana que eu me senti absolutamente maltratada pelo tratamento. Dessa vez, eu senti o peso!
Para completar esse ciclo pós-cirurgico calhou de ter que tirar os pontos justamente hoje. Estou com medo de ir no médico, estou de saco cheio de sala de espera de oncologista. Enfim.... estou querendo terminar para sempre com isso mesmo.
 Sendo assim, meu objetivo do dia é apagar todos os momentos péssimos que eu já passei até aqui. Eu não ligo de ignorar toda a minha luta, eu prefiro esquecer todo o desespero que essa doença trouxe para minha vida e me lembrar apenas dos bons momentos dos últimos vinte e seis anos. E foram muitos.
O fato de ter tido câncer aos vinte e cinco e estar sofrendo muito no momento não diminuem uma vida de alegrias que eu tive. Uma vida de alegrias que eu tenho.

Em alguns momentos de revolta eu cheguei a pensar: "Eu queria ser qualquer outra pessoa, menos eu", mas isso foi bobagem, eu nunca desejei ser ninguém no mundo que não fosse eu mesma. Se eu fosse outra pessoa, eu jamais teria a família maravilhosa que eu tenho, nem os amigos sensacionais e o melhor namorado. Se eu fosse outra pessoa, eu não teria escrito uma história tão boa e tão rica em vinte e seis anos.
Se eu fosse outra pessoa, pode ser que eu não tivesse câncer, nem tivesse que passar por uma cirurgia como essa, nem tivesse perdido meus cabelos, mas com certeza, essa pessoa não teria um coração como o meu, tão cheio de amor, transbordando história. Transbordando VIDA!
terça-feira, dezembro 06, 2011 10 comentários

Cirurgia - Primeira Semana

Eu poderia ter postado antes, mas eu estou muito reclamona. Pensa que é fácil ficar ligada em um monte de caninhos e sem conseguir andar?
Gente, nunca nessa vida eu sonhei que o inferno da cirurgia fosse tão insuportável.
Fui internada na quinta-feira e passei a primeira noite na enfermaria do Hospital Angelina Caron e pensei milhões de vezes em como iria contar aqui todo o terror que foi ficar naquele lugar, mas desisti porque nenhuma palavra que eu falar vai retratar, então nem vou tentar. Só resumo dizendo que chorei do momento em que eu entrei no quarto até o momento em que eu fui para a cirurgia.
Quando fui levada para o centro cirúrgico até o momento em que eu cheirei aquele gás mágico, passei um nervosismo enorme, mas conversei com meu médico antes de iniciar, o que me deixou mais calma. Após duas anestesias acordei na sala de recuperação e depois fui para o quarto.
Sexta-feira foi um dos piores dias da minha vida. Muita dor, muito enjôo, muito calorão, não podia mexer, nem comer, nem beber água, vai dando um desespero.

Sábado, na primeira tentativa de comer, não deu muito certo. A primeira tentativa de levantar da cama, deu super errado, depois de dois desmaios tivemos que tentar mais tarde. Recebi visitas lindas, mas ainda estava muito debilitada, nem conseguia rir, porque doia. E dai então, aconteceu uma insanidade: EU ESPIRREI. Jesus, me salva!! Espirrar me fez ver todas as estrelas que eu nunca tinha visto na vida.
Domingo tudo foi muito diferente, eu me alimentei melhor e consegui levantar duas vezes, assisti a final do campeonato brasileiro e quando o Timão foi oficialmente campeão, comecei a chorar e percebi que queria tanto que tudo tivesse sido diferente. Se eu não estivesse no hospital, nós estaríamos comemorando o aniversário do meu irmão e ia ser um dia muito feliz, mas ao contrário, eu estava ligada em  um monte de fios, tomando remédio toda hora e sem poder levantar. Dai em diante, deprimi um pouco. Porra, Câncer, vai pro inferno!
Segunda tive alta e vim para casa e dai então a maior provação de força de todos os tempos: SUBIR ESCADAS.
Foi sofrido, mas cheguei aqui em cima. Estou de cama, sem poder levantar sozinha, dependendo da minha mãe para tomar banho, comer, beber água, levantar, trocar curativo. Está sendo uma semana tensa e estou com um humor muito duvidoso, por isso vim aqui só relatar que minha cirurgia deu certo, mas o preço é alto.
Volto com novidades só depois de sexta, quando me livrar dos canos e quiçá dos vinte pontos.

A luta continua.
Beijos, 
Thai

* Estou com carinha de feliz nas fotos né? Mas juro que não tinha a menor graça. Esse sorrisinho é fake. haha
quarta-feira, outubro 26, 2011 5 comentários

Compensação

Ai que coceira dos infernos! (ok, não tem nada a ver a coceira com o resto do post, mas não tinha como começar a escrever hoje sem reclamar dessa coceira. Estou me sentindo um poodle pulguento. Haja Allegra!!).
E por essas e outras razões, que nem preciso mencionar, é que eu fico tentando encontrar qualquer maneira de compensação. É um sistema bom e ruim ao mesmo tempo.
Quando a gente está para baixo, se achando feia, azarada, esquisita, escolhida ou magoada, compensar é bom. É simples: "Eu estou triste, quero meu cabelo de volta!", nada que um brigadeiro de panela com sorvete de creme não resolva, ou então, "Por que eu tenho câncer, meu Deus?!" e da-lhe vestidinho novo. Cartão de Crédito, para que te quero!

Maaaaas..... quando a gente acaba comendo brigadeiro demais acaba engordando demais, ou quando compra vestidinhos demais, acaba gastando demais e essas coisas não são boas. Então, até que ponto a compensação ajuda?
É difícil dizer, porque na ponta do lápis, nada é capaz de compensar as dores e o sofrimento que a doença traz. O fato de tomar Rivotril para dormir não quer dizer que o remédio te trouxe a paz de deitar a cabeça no travesseiro e dormir.
Eu acredito que a compensação é válida, porque durante o tratamento, o meu foco é não deixar a peteca cair e isso não é muito fácil, as vezes precisamos de uma ajudinha. E nada como um vestidinho para segurar a peteca lá em cima.

Mas o que adianta um closet lotado (como se eu tivesse um closet) e depois uma fatura de cartão impagável? Isso seria mais uma preocupação para minha vida e eu não quero.
Então.... é força na peruca para controlar os reais a menos e os quilinhos a mais, e tentar compensar saindo com as amigas, esmagando os sobrinhos, jantar com a família, dengos do namorado e quando eu me der conta, estarei acordando em 2012, quando tudo já estiver terminado (um sonho!).

Com brigadeiro ou sem, a luta continua.
Beijos,
Thai
segunda-feira, outubro 10, 2011 9 comentários

Post sem título

Meu cabelo se foi.
Começou a cair e não parou mais. Junto com ele foram muitas coisas: minha tranquilidade em relação ao tratamento, meus outros pêlos do corpo todo, minha paz interior. E chegaram coisas novas: medo, dor, nó na garganta.
Começou a cair de pouquinho em pouquinho. Não tive nenhuma dorzinho no couro cabeludo, veio sem anúncio. Eu estava aguentando ver a queda dos fios. De repente, caiu um chumaço e eu me desesperei completamente. Aliás, ainda estou desesperada.
Durante todo o tratamento eu usei uma técnica simples: cada momento difícil, eu pensava nos melhores momentos da minha vida (os que já passaram e os que eu sonho com o dia que virão). Tomografia: Lucas e Giulia brincando na piscina. Dieta da Urografia: carinha de nervoso no Nicolas bebê. Anestesia: a felicicidade dos meus pais na minha formatura. Agulhada da quimio: primeiro beijo no meu namorado.
Mas dessa vez não consigo pensar em nenhum bom momento capaz de conter a minha tristeza. A cada fio de cabelo caindo da minha cabeça foi como se apagasse um momento de felicidade da minha memória.
Mesmo sabendo que esse dia iria chegar e a queda de cabelo ser uma tragédia anunciada, isso não significa que o sofrimento está sendo menor. A previsão da tragédia não redimi a dor que ela traz.
A cada tesourada nas minhas mechas loiras, eu sentia como se fosse uma tesourada dentro do meu coração.
Hoje, 10 de outubro de 2011 foi, sem dúvidas, o dia mais triste de toda a minha vida.
quinta-feira, setembro 29, 2011 3 comentários

A culpa é do Gianecchini!

Hoje eu tive um daqueles momentos. Aqueles momentos que a gente se olha no espelho e ODEIA estar vivendo um pesadelo acordada. 
Eu sai do banho e fiquei pensando que eu estava feia e precisava de maquiagem urgente, mesmo estando ainda com cabelos. Então, realizei que essa situação ia piorar e resolvi esconder a minha juba loira embaixo de um lenço. Fiquei por uns momentos fingindo que meu cabelo já tinha ido embora.
E resolvi me maquiar com o lenço, e me vestir com o lenço. Cabelos escondidos.
Esse foi um daqueles momentos que a gente deseja estar dormindo e só acordar quando já puder colocar um mega hair. Mas eu estou acordada e tenho internet em casa.

É só abrir o Globo.com e a gente se depara com o Gianecchini mostrando um sorriso de orelha a orelha apadrinhando crianças com câncer.
Dai que todo mundo considera um exemplo de superação e de força. E eu realmente acho que ele é. Eu adoroooo o Gianecchini, acho que ele está dando um show. Não só ele, mas famosos como a Hebe,  Marcia Cabrita (ainda vou falar muito sobre ela aqui!),  Ana Maria Braga, Patrícia Pillar e tantos outros, ajudam pessoinhas, como eu, a superar as fases mais difíceis do tratamento, mas isso não significa que eles não sofram.
Quando eu desanimo ou choro, ou digo que EU ESTOU COM ÓDIO, sempre tem alguém para dizer: "Não fica assim, você vai vencer!", "Não fica triste, mesmo sem cabelos você vai continuar linda!" ou qualquer outra coisa do gênero. E eu sei que as pessoas que dizem isso me amam, e as vezes as pessoas que dizem isso nem me conhecem muito bem, mas simplesmente não querem me ver triste, porque é tão óbvio que eu não merecia passar por isso, que qualquer um pode perceber e não quer me ver triste.
Mas gente, o luto tem mais do que cinco estágios.... ele tem uns trinta e cinco. E chorar, odiar, querer morrer, querer matar, são apenas alguns sentimentos que fazem parte desse processo. E eu tenho que passar por isso!
E certamente, o Gianecchini e todos os outros também tem que passar. 
Não é só porque mesmo careca ele continua lindo e sorridente, que ele não está querendo explodir de vez em quando.... isso faz parte do sofrimente de uma pessoa com câncer. E o fato de as vezes eu estar chorona ou para baixo não quer dizer que eu estou deixando a doença me vencer. Muito pelo contrário. Deixar ela me vencer seria muito mais fácil. Talvez eu não chorasse nenhuma vez.
Sendo assim, se você me ver triste ou chorando, não me peça para ficar feliz.... traz um lenço pra mim, porque eu vou precisar de muitos lenços até o fim dessa luta.

quarta-feira, setembro 21, 2011 4 comentários

Querido cabelo,

Eu sei.... não adianta escrever essa carta para você. O que vai acontecer já está definido. Você já sabe se vai cair da minha cabeça ou não depois que começarmos a te bombardear de química.
Mas eu estou aqui para te pedir, implorar, suplicar para não cair. Por favor, fica comigo!
Eu peço desculpas por todos os dias em que eu gritei com você, desmereci você e te ofendi.
Quando eu disse que você era "horrível", lembra? Era mentira! Horrível sou eu por ter coragem de dizer um aburdo desses.

Você é lindo. É o cabelo mais lindo do mundo. Eu amo sua cor, sua textura, seu comprimento.
Eu amo até as ondinhas que você tem bem ao lado das minhas têmporas.
Você é tão especial que hoje eu decidi colocar uma foto sua aqui.
Cabelo, se você ficar, eu prometo te comprar melhores arquinhos, bons produtos e passar menos spray nos dias em que você ficar rebelde.
Quando alguém me perguntar: "O que você mais gosta em você?", eu vou responder sem pensar "MEU CABELO!!".
 Eu sei que se você se for, você vai voltar, afinal, nós sempre fomos muito unidos, mas mesmo assim eu não quero ver você partir. Vai ser muito doloroso e eu não sei se vou suportar.
Mesmo a sua partida temporária poderá me deixar sem forças para enfrentar essa luta.
Eu preciso de você. Me ajuda a passar por tudo isso, tudo será muito melhor se eu estiver em sua companhia.
Beijos,
Thai
 
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