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segunda-feira, junho 04, 2012 5 comentários

Coisas que não mudam.

A gente costuma falar das coisas que mudaram com a chegada e partida da doença, mas hoje eu estava pensando em algumas coisas que não mudaram. São aquelas coisas que fazem nossa identidade tão única e tão forte que nada no mundo é capaz de alterar.
Então essa é a minha listinha:
1) Apesar de todos os percalços, eu não deixei de ser vaidosa, nem de me cuidar, me pentear (!) e gostar de mim. Até quando eu estava careca, fazia escova. Colocava a peruca na cabeça e escovava com o secador. O barulho do secador faz parte de quem eu sou.
2) Eu continuo sonhando acordada

3) Os rótulos dos meus perfumes ainda ficam posicionados na diagonal nas prateleiras do meu banheiro.
4) Filmes, livros, novelas e seriados são e sempre serão meus bons companheiros.
5) Eu amo cheirinho de amaciante. Na roupa, no lençol ou na toalha, não tem nada melhor do que aquela sensação de limpeza.
6) Ainda sou uma formiga: viciada em doces, brigadeiro, sorvetes, chocolates, cupcakes, macarons, doce de leite, amooooo!!

7) Sou implicante e teimosa, confesso! (O Guilherme quem diga).
8) Amo viajar. Para todo e qualquer lugar. Queria passar a vida viajando.
9) Sou preguiçosa e amo dormir.
10) E principalmente, eu continuo sendo otimista. Nem a pior perspectiva conseguiu amargurar meu coração.

Esse é o meu jeitinho. E você, já pensou em coisas que fazem você ser quem é?

Beijos, 
Thai
domingo, maio 13, 2012 2 comentários

Dia das mães

Hoje eu vou aproveitar o dia das mães e falar de duas mulheres.
A primeira é minha mãe. Nossa ligação sempre foi muito forte, mas quando descobrimos o câncer, essa ligação se tornou inexplicavelmente maior.
Se é para falar de momentos tristes relacionados a presença dela nessa saga, eu só me lembro de dois: no dia em que meu pai me deu a notícia e ela desceu as escadas de casa com o rosto todo inchado de tanto chorar e outro quando a gente conversou sobre a cirurgia e eu tive uma reação aos gritos e lágrimas de desespero/raiva/medo e parecia que eu estava descontando tudo nela (mas não estava) e depois ela veio me pedir desculpas e eu senti peso na consciência por estar sobrecarregando tanto essa mulher tão pequenininha. Não dá para acreditar no tamanho do amor da minha mãe. 
Mas nós tivemos muitos momentos de descontração, de força, de união. A gente sempre deu um jeito de rir nas salas de espero dos consultórios/clínicas/hospitais, por um motivo ou por outro a gente dava um jeito de rir, mesmo nos momentos mais complicados.
Se eu fosse descrever essa baixinha, não poderia ser diferente: Dona Tata é o amor da cabeça aos pés.
É uma grande honra ser sua filha, mãe. Tenho certeza que ficaremos sempre juntas nessa vida e em todas as outras. Te amo mais que o mundo inteiro!
Meu aniversário 2009, as duas maravilhosas e eu (em uma versão gordinha).
A outra mulher que eu vou falar hoje sou eu!
É difícil demais explicar a certeza que eu sempre tive, desde que eu me conheço por gente: quando eu crescer, quero ser mãe. Eu já tenho o nome dos meus filhos escolhidos, nem sei desde quando.
Sempre quis ser mãe. E ainda quero.
A doença me nocauteou. Tiveram momentos que eu achava que tudo o que eu passei seria capaz de tirar os meus sonhos. Na verdade, eu acho que em dado momento isso aconteceu! Mas a diferença é que eu não me deixei abater. Nada é maior do que a minha vontade de ser mãe.
Outro dia eu li em uma revista: "Quando o desejo de uma mulher de ser mãe é forte, não importam os meios, ela se torna mãe!!".
E eu acredito muito nisso.
Espero que um dia eu seja para alguém dez por cento do que a minha mãe é para mim.

P.S: Esse foi o post que eu fiquei mais emocionada para escrever durante todo o blog. Nó na garganta demais.
segunda-feira, abril 02, 2012 1 comentários

Vó Amélia.

Eu poderia passar horas escrevendo sobre a morte, mas não quero. A melhor palavra para definir a partida da minha avó é SAUDADES.
Não vou escrever mais sobre tudo de maravilhoso que ela me deixou de legado e nem falar de seus valores morais incomparáveis. Vou só aproveitar este espaço aqui para elogiar a salada de frutas que ela fazia, era deliciosa. E dizer que vou morrer de saudades do jeito que ela falava que o "suco de laranja está cor-de-rosinha", e do quanto ela gostava de roupas coloridas, ficava linda de pink e oncinha e sentir falta de chamar ela de "veinha".
Dia das mães 2011
Já estou sofrendo por não ter mais a certeza que às 17h00 ela estará na sala assistindo ao programa da Cristina e do cheiro bom dela, porque amava cremes e perfumes. 
Não queria viver no mundo onde não existe ela sempre me perguntando se a roupa estava boa e pintando a unha de vermelho. 
Existem tantas memórias lindas sobre a minha avó, e por isso não vou associar a partida dela a nenhuma doença, dor ou sentimento triste.
Sempre vou me lembrar dela pedindo para encher o copo só "até menos da metade" e colocando mais de 15 gotas de adoçante no copo de suco.

A saudade é incurável. Tenho certeza que quando chegar a minha vez de ir, ela será a primeira a me receber com um sorrisinho discreto no rosto. Que linda!
quinta-feira, março 01, 2012 0 comentários

Macaco

Bom, como eu já disse no post anterior, essa semana está sendo um calvário o aguardo na clínica da radio. Não sei o que está acontecendo, mas o atraso está enorme e eu estou levando um chá de cadeira todo santo dia. Hoje estava me dando um siricutico!! 
Mas eu fiz vários amigos na clínica, várias vidas e experiências diferentes, muita gente com energia positiva transmitindo mensagens de otimismo. As vezes me aparece aquele povo que adora uma lamentação e diz que o câncer é terrível, que sua vida nunca mais vai ser a mesma, mas esse tipo de gente eu não quero perto de mim. Educadamente eu corto o assunto e não quero mais papo. 
Infelizmente não tenho tempo para colocar atitude positiva na cabeça de ninguém. Cada um enfrenta com as armas que tem e eu gosto de atrair gente que me ajude nessa luta e não que me puxe para baixo.
Quem sabe um dia eu não possa ajudar pessoas diferentes de mim, levando um pouco de conforto e otimismo?
Filhote.
Dai que para não pirar a cabeça, nada como uma boa ocupação: lanchinho com as amigas, almoço com outras amigas. Tudo ajudando o tempo acelerar.
Sem falar nas loucuras da minha mãe, que me fazem dar muita risada. Essa semana mandamos nosso cão no pet para um banho e tosa padrão. Quando buscamos o bichinho, o pêlo estava cheio de falhas e a mulher tinha cortado toda a saia do cachorro (que é um cocker spaniel), minha mãe ficou ALOCKA passou a mão no telefone e começou a reclamar: "Eu acabei de buscar o Jotinha ai no pet shop e vocês acabaram com o pêlo do cachorro. Ele está horroroso. Por que vocês cortaram a saia dele, ele está parecendo um MACACO. Eu estou revoltada!"
Gente, ela chamou nosso filhote de macaco. Coitadinho. Ele está mais feinho mas continua lindo.

Então é isso. Vamos em frente que só faltam 8.
Beijos,
Thai.
quarta-feira, dezembro 14, 2011 16 comentários

Vinte e Seis Primaveras

Eu nasci em um sábado. Atrapalhei a formatura do pré do meu irmão. Parece que desde que eu nasci queria criar essa comoção. Eu era um bebê totalmente careca e meu pai conta indignado até hoje, que minha mãe colava lacinho com durex na minha cabeça. Quando ela tirava o durex meus únicos fios saiam junto, meu pai ficava bravo. Nesses vinte e seis anos de vida eu sempre comemorei meu aniversário, nunca fui muito fã de cantar parabéns, mas sempre aproveitei 14 de dezembro como uma desculpa para reunir pessoas maravilhosas e que eu amo demais.
Hoje é meu aniversário de vinte e seis anos e eu estou careca assim como em 14 de dezembro de 1985 - é uma pena que a fofura skinhead dure apenas até os seis meses de vida, seria muito mais fácil se eu ainda fosse linda carequinha. A diferença é que a minha falta de cabelos dessa vez é o sinal de uma luta dura, difícil, pesada.
Esses últimos dias de recuperação da cirurgia estão sendo péssimos, por isso estou sumida. Eu estou nervosa, mau humorada, triste, chorona. Gente, é horrível ficar com dor, sem poder andar, sem sair de casa, decorando a programação da Net inteira. E o cabelo, então? Essa porcaria não nasce. Não sei se está nascendo um pouco, mas não dá para enxergar por causa da minha loirisse. Foi uma semana que eu me senti absolutamente maltratada pelo tratamento. Dessa vez, eu senti o peso!
Para completar esse ciclo pós-cirurgico calhou de ter que tirar os pontos justamente hoje. Estou com medo de ir no médico, estou de saco cheio de sala de espera de oncologista. Enfim.... estou querendo terminar para sempre com isso mesmo.
 Sendo assim, meu objetivo do dia é apagar todos os momentos péssimos que eu já passei até aqui. Eu não ligo de ignorar toda a minha luta, eu prefiro esquecer todo o desespero que essa doença trouxe para minha vida e me lembrar apenas dos bons momentos dos últimos vinte e seis anos. E foram muitos.
O fato de ter tido câncer aos vinte e cinco e estar sofrendo muito no momento não diminuem uma vida de alegrias que eu tive. Uma vida de alegrias que eu tenho.

Em alguns momentos de revolta eu cheguei a pensar: "Eu queria ser qualquer outra pessoa, menos eu", mas isso foi bobagem, eu nunca desejei ser ninguém no mundo que não fosse eu mesma. Se eu fosse outra pessoa, eu jamais teria a família maravilhosa que eu tenho, nem os amigos sensacionais e o melhor namorado. Se eu fosse outra pessoa, eu não teria escrito uma história tão boa e tão rica em vinte e seis anos.
Se eu fosse outra pessoa, pode ser que eu não tivesse câncer, nem tivesse que passar por uma cirurgia como essa, nem tivesse perdido meus cabelos, mas com certeza, essa pessoa não teria um coração como o meu, tão cheio de amor, transbordando história. Transbordando VIDA!
terça-feira, dezembro 06, 2011 10 comentários

Cirurgia - Primeira Semana

Eu poderia ter postado antes, mas eu estou muito reclamona. Pensa que é fácil ficar ligada em um monte de caninhos e sem conseguir andar?
Gente, nunca nessa vida eu sonhei que o inferno da cirurgia fosse tão insuportável.
Fui internada na quinta-feira e passei a primeira noite na enfermaria do Hospital Angelina Caron e pensei milhões de vezes em como iria contar aqui todo o terror que foi ficar naquele lugar, mas desisti porque nenhuma palavra que eu falar vai retratar, então nem vou tentar. Só resumo dizendo que chorei do momento em que eu entrei no quarto até o momento em que eu fui para a cirurgia.
Quando fui levada para o centro cirúrgico até o momento em que eu cheirei aquele gás mágico, passei um nervosismo enorme, mas conversei com meu médico antes de iniciar, o que me deixou mais calma. Após duas anestesias acordei na sala de recuperação e depois fui para o quarto.
Sexta-feira foi um dos piores dias da minha vida. Muita dor, muito enjôo, muito calorão, não podia mexer, nem comer, nem beber água, vai dando um desespero.

Sábado, na primeira tentativa de comer, não deu muito certo. A primeira tentativa de levantar da cama, deu super errado, depois de dois desmaios tivemos que tentar mais tarde. Recebi visitas lindas, mas ainda estava muito debilitada, nem conseguia rir, porque doia. E dai então, aconteceu uma insanidade: EU ESPIRREI. Jesus, me salva!! Espirrar me fez ver todas as estrelas que eu nunca tinha visto na vida.
Domingo tudo foi muito diferente, eu me alimentei melhor e consegui levantar duas vezes, assisti a final do campeonato brasileiro e quando o Timão foi oficialmente campeão, comecei a chorar e percebi que queria tanto que tudo tivesse sido diferente. Se eu não estivesse no hospital, nós estaríamos comemorando o aniversário do meu irmão e ia ser um dia muito feliz, mas ao contrário, eu estava ligada em  um monte de fios, tomando remédio toda hora e sem poder levantar. Dai em diante, deprimi um pouco. Porra, Câncer, vai pro inferno!
Segunda tive alta e vim para casa e dai então a maior provação de força de todos os tempos: SUBIR ESCADAS.
Foi sofrido, mas cheguei aqui em cima. Estou de cama, sem poder levantar sozinha, dependendo da minha mãe para tomar banho, comer, beber água, levantar, trocar curativo. Está sendo uma semana tensa e estou com um humor muito duvidoso, por isso vim aqui só relatar que minha cirurgia deu certo, mas o preço é alto.
Volto com novidades só depois de sexta, quando me livrar dos canos e quiçá dos vinte pontos.

A luta continua.
Beijos, 
Thai

* Estou com carinha de feliz nas fotos né? Mas juro que não tinha a menor graça. Esse sorrisinho é fake. haha
quarta-feira, novembro 23, 2011 6 comentários

Vaza, Quimio!

O tempo é extremamente relativo. 40 minutos de massagem relaxante é pouco. 40 minutos na sala de espera do oncologista é uma eternidade.
Mas assim que fui chamada, a interminável ansiedade acabou. Após o exame, extremamente rápido, vieram as boas notícias. Foram ótimas notícias, para ser sincera. Foi o fim do câncer! A lesão do cólo do útero reduziu OITENTA POR CENTO. Repito: 80%!
A quimio foi suspensa, fim das células malignas. Vou dar mais enfâse: Acabou a quimio!!! Meu cabelo vai voltar a crescer essa semana já, nunca mais terei aquele gosto horrível na boca, nada de coceiras desesperadas. Chegaaaa!
Em três sessões, metade da programação inicial, eu acabei com essa maldição. Sou poderosa ou o que?? Não tenho como me expressar melhor do que usando as doces palavras da minha musa Beyoncé: WHO RUN THIS MOTHA????
Bom, a demora para fazer esse post foi em decorrência de que eu fiquei com a "Escolha de Sofia" nas mãos e passei dois dias bem apreensivos tendo que escolher entre opções que não me deixaram muito feliz, ou seja, não quis parecer ingrata, mas mesmo com a redução absurda do câncer, a minha situação ainda pode ser considerada um tanto quanto periclitante. E com certeza tem gente pensando: "Mas tá viva, isso que importa, por que querer tanto ter filhos?", mas eu tenho a resposta.
Sabe quando seus pais são pessoas tão maravilhosas e especiais e fizeram sua vida ser perfeita? Além disso fazem um trabalho tão bom na sua família, que você passa sua vida inteira querendo ser para alguém o que eles são para você?
Eu sei! Passei minha vida inteira querendo transmitir todo o amor que eu recebi dos meus pais para os meus filhos. E depois que encontrei o Guilherme, tive certeza que estava com alguém que faria um bom trabalho ao meu lado nessa missão. Eu acredito que serei uma ótima mãe e tenho certeza que ele será um ótimo pai.
Esse é o drama do momento, mas prefiro não falar nesse assunto, ok?
Então, passando por cima disso, vamos voltar a parte boa: encerrada a quimio, estamos apenas a um passo do fim. Quem quer comemorar??
Depois de estudar muito minhas opções, junto com as pessoas que eu amo, ficou marcada a cirurgia para dia 02 de dezembro e depois terei 30 sessões de radio pela frente. Claro que estou com medo, mas vou sofrer só dia 02, até lá.... vida normal. Depois da recuperação cirurgica, só festa.
QUEM FAZ RADIO PODE BEBER? NÃO EXISTE UMA BOA COMEMORAÇÃO SEM ESPUMANTE. 

E para finalizar esse post imenso quero agradecer do fundo do meu coração o pensamento positivo e oração de cada um de vocês. Sei que foram muitos e o mais importante, funcionaram!!!! Eu espero, um dia quem sabe, poder retribuir tudo de bom que eu recebi nesses três meses.
Eu sei que não falo muito de Deus por aqui, mas gente, vamos falar sério.... DEUS É LINDO OU É MARAVILHOSO????

A luta continua, e está muito perto do fim.
Beijos,
Thai

* Dessa vez coloquei fotos do meu acervo pessoal quando meu cabelo estava lindo e sedoso.... E agora ele vai voltar. Ufa!!!
terça-feira, novembro 08, 2011 8 comentários

Terceira Sessão de Quimio.

Mais uma etapada superada. Agora é aguardar esse remédio abençoado fazer efeito no lugar para onde ele é direcionado, porque no resto ele está fazendo. Sintomas dentro do esperado, um pouco de gosto amargo na boca mais acentuado, o que é bem chato. Dessa vez tomei um corticóide antes de receber a medicação para evitar as coceiras com efeitos multiladores. Vamos ver se adianta.

Estou mais animada, pois acho que de agora até o dia 21 o tempo vai voar e vai ser possível controlar a ansiedade até lá (feriado vida!). Só poderei delinear o meu final de ano depois dessa consulta e é isso que me dá mais aflição. Eu gosto de ter uma lista com todas as programações dos próximos meses definidas e até agora estou de mãos atadas esperando o tempo passar. E pior, toda a minha família acaba ficando nessa situação também.
Espero que até o final de dessa semana as dores no corpo tenham ido embora, porque sábado é um dia importante. Tenho casamento da família do namorado. E pensem comigo? Como proceder com a peruca? Fazer penteado naquele cabelo de Playmobil não vai rolar. Ficar cabeção e cansada ainda por cima é o fim da carreira. Então, vamos torcer pela mesma recuperação das outras sessões.
Está calor essa semana e mesmo assim eu estava de cobertor na clínica. Tema para reflexão: Por que hospitais e clínicas são sempre geladas???
Bom, eu nem sei exatamente quanto tempo ainda vai durar esse tratamento, mas já estou na contagem regressiva para o fim. E como é sempre bom ver uma mensagem de otimismo, escolhi um vídeo da  Drica Moraes, algum tempo após o fim do tratamento da leucemia dela (mais de um ano atrás). Para mim a frase mais marcante "A vida melhora muito se você não morre".



É isso....a vida é ótima se a gente não morre, né? Vamos que vamos na luta.
Beijos,
Thai
domingo, outubro 30, 2011 2 comentários

Eu não acho graça.

Acontece sempre mas a gente simplesmente não percebe, piadas maldosas estão sempre respingando na internet, no facebook, twitter e etc. Normalmente são feitas por anônimos, e muitas vezes por humoristas fracassados e subcelebridades.
E acreditem, tem gente que ainda brinca com o câncer. Outro dia foi Danilo Gentili fazendo piada sobre a recuperação de Hebe Camargo. E desde ontem, muitas pessoas estão postando no facebook uma piadinha infâme sobre a doença do ex-Presidente Lula.

Eu sou anti-PT, sempre fui!!! Não gosto do Lula, nem de Dilma e nem de ninguém desse governo, adoro criticar o estado da saúde pública do país, apesar de eu simplesmente não preciso usar o SUS, mas não acho legal brincar com a doença de outra pessoa. 
Não é porque não gosto de uma pessoa que eu acharia graça em piadas desse gênero. Eu não tenho inimigos, mas mesmo que tivesse, com certeza não desejaria que essa pessoa tivesse uma doença, muito menos que essa doença fosse câncer.
Se o ex-Presidente vai se tratar no sistema privado de saúde, sorte a dele, eu também estou me tratando, sorte a minha. Nós temos mais chance de ter um tratamento mais efetivo e mais rápido, mas o sistema privado  também pode errar e ser ineficiente (para quem não sabe, um ano atrás eu fiz exames e tive um falso negativo, pois segundo meu médico, a doença já estava se desenvolvendo a mais ou menos dois anos).
Se você é uma pessoa anti-governo, se você acha que os políticos deveriam usar o SUS para constatar a ineficiência do sistema público, ok, mas fazer piada com o estado de saúde de uma pessoa que vai enfrentar uma guerra pela frente não é adequado (na minha opnião).
Além da quimioterapía, que é uma visita no inferno à parte, o Lula vai enfrentar uma cirurgia difícil, pode até perder a voz ou o paladar no tratamento, eu não acho a menor graça nisso e você? Ainda acha isso engraçado?
segunda-feira, outubro 24, 2011 3 comentários

Embarangamento.

O verbo "embarangar" não existe, tecnicamente falando. Se você procurar no dicionário, ele não vai aparecer. No entanto, a palavra "baranga" existe e significa: "mulher feia, muito ruim, sem valor, de má qualidade".
Sendo assim, resolvi inventar um significado para esse novo verbo, que passou a fazer parte da minha vida, a partir de agora embarangar existe e significa: "perde gradativa da beleza, mulheres que envelhecem e engordam em uma velocidade incrível, deixando o que é bonito para trás".
É inegável que o tratamento contra a doença tem essa tendência espetacular para arrasar com as mulheres, especificamente. Queda de cabelos, cílios e sobrancelhas. Uns quilos a mais. A peruca trazendo todo aquele aspecto Playmobil. (Está ai Britney que não nos deixa mentir!)

Não estou dizendo que antes eu fosse a sósia da Grazi Massafera, mas no momento, a situação não está das melhores. Com tantos fatores tentando me embarangar, tento compensar com mais maquiagem, umas roupas mais arrumadinhas, sei lá, estou tentando compensar com o que dá.
É difícil segurar a auto-estima, mas é um esforço necessário para não deixar a peteca cair e não esquecer que eu ainda sou eu.
O negócio é se apoiar em duas coisas: o amor do namorado, que mesmo quando você está de pijama e lenço diz que você é linda e a beleza interior. Digamos que não sou nenhuma Madre Tereza de Calcutá, mas até que sou bem bonitinha por dentro.

terça-feira, outubro 18, 2011 4 comentários

Segunda Sessão de Quimio

Oi pessoal!
Ontem fiz minha segunda sessão de quimio e foi bem tranquila, assim como a primeira, mas eu dormi a maior parte do tempo. Aquele anti-alérgico derruba.
Adivinha qual a primeira coisa que a médica e as enfermeiras falaram para mim??? Sobre meu cabelo novo. Todos só conseguem reparar nele, mas fazer o que? Tenho que me acostumar com essa cabeleira durante alguns meses. De resto, aquela coisa um pouco desagradável, gente chegando de muleta, de cadeira de rodas, pesando menos de 40 quilos e algumas pessoas contando histórias de 10 anos de quimio (acho que é mentira!! só para constar), mas também, muita gente jovem meio perdida naquele lugar, outras mulheres de peruca ou lenço.
Enfim... qualquer um pode ter câncer né?? Infelizmente, não é uma coisa que se pode prever.
O que importa é que nesse momento, tudo está bem e eu acho que poderei continuar levando uma vida normal, incluindo um pouco de trabalho, encontros com as amigas, passeios com o namorado, reuniões familiares.
Meu próximo desafio é tentar descobrir como fazer penteados variados na peruca, porque eu não gosto de cabelo no rosto e continuar me mantendo saudável, com cílios e sobrancelhas, que ainda não caíram totalmente, mas já deram uma reduzida.

Para finalizar, vou postar um vídeo do Gianecchini maravilhoso. Para mim, tudo o que ele diz faz cem por cento de sentido.

Bom, por hoje é só.
A luta continua. Para mim, para o Giane e para milhares de outras pessoas.
Beijos, 
Thai
quarta-feira, outubro 12, 2011 3 comentários

Mimada

É difícil encontrar as pessoas agora que sou "peruquenta". 
Pelo menos em um primeiro momento, porque todo mundo fica analisando meu novo visual.
Já passei pelo crivo da minha família toda e do meu amor.
Amanhã é dia de encarar o pessoal do escritório e eu estou morrendo de frio na barriga. Ninguém ficaria analisando a minha cara nova se o cabelo estivesse, de fato, grudado na minha cabeça pelos fios e não por uma rede, mas... é a vida.

Estou mais tranquila em relação à minha nova aparência, afinal não poderia sofrer para sempre.
Essa noite sonhei que não tinha raspado a cabeça e que estava na rua e meu cabelo tinha caído mais e estava cheio de falhas, eu ficava tentando esconder. Um desastre. Então, conclui que a minha decisão foi a melhor. O que mais me desesperou foi ver a queda. Acreditem, não é fácil.
Cada vez que eu me olho no espelho de lenço eu penso assim: "Nossa, fulana não ia aguentar ter câncer... ia estar deprimida demais!", "Afe, se fosse com tal pessoa, dúvido que ela conseguiria sair de casa", "Ih, se cicrana ficasse careca morreria. Mimada demais!" e  depois eu penso: quem diria que eu ia aguentar? Mimada demais eu sempre fui. Sempre pareci fraca demais também, mas eu não sou nada disso. 
Descobri uma força inacreditável. 
Meu pai me viu dar um sorriso ontem e deu um pulo no meu pescoço dizendo que estava muito feliz porque eu estava rindo de novo. Mas gente, calma lá, eu fiquei dois dias sem sorrir, e só. Foi meu período de luto, agora tudo tem que voltar aos eixos.
A segunda vez que eu me vi no espelho sem cabelo, com pouca sobrancelha e pouco cílios, sabe o que eu fiz?? Eu ri, pensando se eu parecia mais com um judeu no campo de concentração ou uma mutação genética sem pêlos. 
Eu não posso chorar para sempre né??? Então, eu tive que rir. Afinal, câncer não é para os fracos.
Sendo assim, vamos em frente porque a luta continua!

Beijos,
Thai.
quinta-feira, outubro 06, 2011 2 comentários

Steve Jobs

Ontem morreu um dos maiores gênios da humanidade. E adivinhem qual foi a causa da morte? Câncer.
E a primeira coisa que me veio na cabeça foi a injustiça de uma doença maldita dessas levar uma pessoa tão importante para a evolução do mundo, mas depois esqueci isso e comecei a ver que, na verdade, ele se foi, com 56 anos, deixando um legado tão incrível e icomensurável que ele só podia ser uma alma mais evoluída que todas as outras que estão vagando aqui na Terra.

Ele poderia ter morrido em um acidente aéreo, naufrágeo, ataque cardíaco, febre tifóide, pneumonia, hiv ou qualquer outra coisa, mas não, foi de câncer que ele morreu.
Não tem jeito, não existe como pensar em câncer, sem pensar em morte.
Parafraseando o mestre: "Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá".
Porém, Steve Jobs foi uma exceção, ele passou nessa vida, arrasou, fez a parte dele e revolucionou a humanidade.
Meu caso é completamente diferente. Eu ainda não tive tempo de fazer nada disso, por isso, não tenho tempo de pensar besteira. Meu caso é diferente do dele!
Eu ainda não revolucionei o mundo. Ainda! 
quinta-feira, setembro 29, 2011 3 comentários

A culpa é do Gianecchini!

Hoje eu tive um daqueles momentos. Aqueles momentos que a gente se olha no espelho e ODEIA estar vivendo um pesadelo acordada. 
Eu sai do banho e fiquei pensando que eu estava feia e precisava de maquiagem urgente, mesmo estando ainda com cabelos. Então, realizei que essa situação ia piorar e resolvi esconder a minha juba loira embaixo de um lenço. Fiquei por uns momentos fingindo que meu cabelo já tinha ido embora.
E resolvi me maquiar com o lenço, e me vestir com o lenço. Cabelos escondidos.
Esse foi um daqueles momentos que a gente deseja estar dormindo e só acordar quando já puder colocar um mega hair. Mas eu estou acordada e tenho internet em casa.

É só abrir o Globo.com e a gente se depara com o Gianecchini mostrando um sorriso de orelha a orelha apadrinhando crianças com câncer.
Dai que todo mundo considera um exemplo de superação e de força. E eu realmente acho que ele é. Eu adoroooo o Gianecchini, acho que ele está dando um show. Não só ele, mas famosos como a Hebe,  Marcia Cabrita (ainda vou falar muito sobre ela aqui!),  Ana Maria Braga, Patrícia Pillar e tantos outros, ajudam pessoinhas, como eu, a superar as fases mais difíceis do tratamento, mas isso não significa que eles não sofram.
Quando eu desanimo ou choro, ou digo que EU ESTOU COM ÓDIO, sempre tem alguém para dizer: "Não fica assim, você vai vencer!", "Não fica triste, mesmo sem cabelos você vai continuar linda!" ou qualquer outra coisa do gênero. E eu sei que as pessoas que dizem isso me amam, e as vezes as pessoas que dizem isso nem me conhecem muito bem, mas simplesmente não querem me ver triste, porque é tão óbvio que eu não merecia passar por isso, que qualquer um pode perceber e não quer me ver triste.
Mas gente, o luto tem mais do que cinco estágios.... ele tem uns trinta e cinco. E chorar, odiar, querer morrer, querer matar, são apenas alguns sentimentos que fazem parte desse processo. E eu tenho que passar por isso!
E certamente, o Gianecchini e todos os outros também tem que passar. 
Não é só porque mesmo careca ele continua lindo e sorridente, que ele não está querendo explodir de vez em quando.... isso faz parte do sofrimente de uma pessoa com câncer. E o fato de as vezes eu estar chorona ou para baixo não quer dizer que eu estou deixando a doença me vencer. Muito pelo contrário. Deixar ela me vencer seria muito mais fácil. Talvez eu não chorasse nenhuma vez.
Sendo assim, se você me ver triste ou chorando, não me peça para ficar feliz.... traz um lenço pra mim, porque eu vou precisar de muitos lenços até o fim dessa luta.

terça-feira, setembro 20, 2011 9 comentários

As maravilhas da Graviola.

Uma coisa é certa: todo mundo tem uma receitinha caseira.
Olha, a sabedoria popular mostra a sua cara. Todas as pessoas que ficam sabendo da minha doença querem me dar uma receitinha IN-FA-LÍ-VEL.
Já me indicaram suplementos alimentares, sucos mágicos, uma gama de produtos naturais, simpatias, cirurgias espirituais, massagens, reikes, acupuntura, homeopatia e até centro de umbanda (oxalá!).
Muitas das receitas, eu estou usando. Principalmente as mais inofensivas, como o consumo adequado de alimentos, por exemplo: é importante o consumo de ferro durante a quimioterapia, porém, a melhor forma de absorção desse nutriente pelo organismo é a combinação dele com vitamina C. Ou seja, almoço de arroz e feijão, deve ser acompanhado de um suquinho de laranja (feito na hora, é claro!). Olho na dica, people!
Eu aderi alguns outros truques, porém, o que mais me chamou a atenção e que eu estou seguindo fielmente é a tal da graviola. Foi indicação de uma vizinha e amiga muito querida, que contou para minha mãe e inclusive, forneceu nosso primeiro suprimento de poupa.
Existem pesquisadores espalhados pelo mundo a fora, tentando loucamente comprovar a eficácia dessa fruta e a combinação do consumo de suas folhas para o combate ao câncer. Ainda não há evidência científica que ateste o potente efeito desse alimento na destruição das células malignas, porém, existem muitas pessoas entregando suas carreiras médicas nas mãos da graviola, jurando de pé junto que o efeito é quase milagroso.
Obviamente, todos que indicam a graviola, fazem ressalvas acerca de seu uso, pois o tratamento com as químicas não deve ser abandonado. Mas o fato de existir a mínima evidência de que o efeito do consumo da fruta e do chá da folha podem curar o câncer com 10.000 vezes mais potência que a quimioterapia, e o melhor, sem nenhum efeito colateral, já é razão suficiente para colocar fé na frutinha. (Vale conferir o vídeo do youtube com uma reportagem transmitida pelo Globo Repórter).
Além disso, o suco é gostoso e o chá é praticamente insípido. Não é sacrifício nenhum realizar o consumo diário da graviola e deixar ela agir fazendo o trabalho sujo, e principalmente, deixando meus cabelos exatamente onde eles devem estar: na minha cabeça!
segunda-feira, setembro 19, 2011 2 comentários

Consciência Corporal

Faz tempo que eu estou ensaiando para escrever sobre a consciência que passei a ter sobre o meu próprio corpo, pois essa é uma das novidades que essa doença trouxe para a minha vida.
Antes, eu poderia passar uma semana com dores nas costas e jamais iria perceber que existia alguma coisa de errado comigo. Na verdade, eu até perceberia, mas com certeza culparia a minha cadeira de trabalho ou até mesmo a minha profissão, que exige uma postura nada favorável.
Acontece que, eu teria a dor, ela andaria grudada nas minhas costas a semana inteira e, eu simplesmente não iria dar importância para ela. Eu não daria a menor “bola” para uma dorzinha. Eu não ligava para um pequeno sofrimento físico, afinal, eu era perfeitamente saudável.
Agora, eu passei a dar atenção ao meu corpo. Atenção aos sinais. Qualquer menor indício de dor ou similar, eu estou atenta. Hoje, uma dor nas costas significa muito mais para mim. Dor nas costas pode significar ovários inchados, útero deslocado, problemas renais.
É claro que a tendência a se tornar hipocondríaca também é uma novidade, mas o importante é perceber a existência desse amor-próprio que antes não existia (pelo menos, não de forma consciente). Eu me importo mais comigo e valorizo mais o meu bem-estar. Eu não sei até quando eu vou ter que conviver com esse tratamento difícil, então, eu prezo muito para que cada momento dessa batalha seja o mais confortável possível.
Todo esse processo doloroso (não só fisicamente), me fez perceber o quanto eu sou importante. Importante para mim. E o quanto eu gosto de ser quem eu sou e não quero que isso mude. Eu quero tanto continuar sendo quem eu sou, que não tem um único dia que eu não deseje “a minha vida de volta”.
Com isso tudo, eu descobri a necessidade de se amar e de se valorizar, pois isso pode salvar nossa vida, e principalmente, salvar nossa alma.
Hoje, eu me arrependo de cada consulta médica que eu perdi ou adiei porque estava ocupada demais e de cada dorzinha singela que eu ignorei porque não estava preocupada comigo. Mas daqui para frente, isso nunca mais vai acontecer.
Afinal, se eu não cuidar de mim, e se eu não me amar em primeiro lugar, como eu poderei sobreviver para cuidar ou amar as outras pessoas?
quarta-feira, setembro 07, 2011 3 comentários

Primeiro post.

Bom, resolvi escrever o primeiro post hoje porque estou com o humor um pouco melhor. O fato é que quando se tem 25 anos e se descobre que está com câncer de cólo de útero, aparentemente sem origem e raríssimo em mulheres com menos de 50 e sem filhos, a gente não fica com o humor muito bom a maior parte do tempo.
Confesso que eu cogitei não escrever o blog, pois achei que poderia ser o mural do baixo astral, mas quando percebi que todos os dias eu acabo vivenciando um fato que gostaria de registrar e como me sinto vitoriosa a cada 24 horas que se passam, percebi que um diário cairia bem. Então, notei que esse blog tem três finalidades: a primeira delas é desabafar e colocar para fora tudo o que eu preciso, a segunda é deixar que as pessoas que estão à minha volta leiam um pouco da minha rotina médica e a gente poupe um pouco nossos encontros sociais de papos oncológicos e a terceira, e menos pretensiosa, é encontrar outras pessoas que possam dividir a experiência comigo e me dar força, e também, quem sabe, eu poder dar forças para outras pessoas.

No dia em que eu soube meu diagnóstico, tive um primeiro pensamento: "Como eu vou fugir dessa vez?", mas dai eu cheguei a triste conclusão de que não tinha como fazer isso. Resolvi enfrentar apesar de me sentir dormindo e acordando dentro de um pesadelo.
Apesar de ser a pessoa mais otimista do mundo (e acredite, eu sou!), gente, vamos assumir: ser uma mulher apaixonada, que pensa na carinha dos filhos e descobrir que tem câncer no cólo do útero e querem tirar ele fora, é simplesmente um pesadelo!!!! Não há outra palavra para definir.

Mas nessa atual etapa, os meus sentimentos estão mais estabilizados: já fiz todos os exames, os normais e os bem ruins, já iniciei o tratamento para congelar meus óvulos (ou criopreservação, evitando a esterilidade na quimioterapia) e até perdi meu medo de agulhas (injeções todos os dias e todas as veias furadas fazem isso por você).
Semana que vem começa minha quimio e nem vou começar a choramingar aqui porque vou ter tempo para fazer isso depois. O que importa é que agora eu estou unindo as minhas forças e a de todas as pessoas ao meu redor para combater esse monstro que estava dormindo embaixo da minha cama. E eu aposto que eu vou vencer, porque desde o primeiro minuto eu não tive dúvidas disso: EU ESCOLHI VIVER!!!!

P.S: Esqueci de mencionar sobre o nome do blog.... é um trocadilho.... meio infame, mas simples. Eu nunca tenho sequer uma gripe, e de repente estou com a doença mais assustadora do mundo. Além disso, paciência nunca foi uma de minhas virtudes, mas agora, eu não tenho mais opção, sou oficialmente, uma paciente!

 
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