Mostrando postagens com marcador força. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador força. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, junho 04, 2012 5 comentários

Coisas que não mudam.

A gente costuma falar das coisas que mudaram com a chegada e partida da doença, mas hoje eu estava pensando em algumas coisas que não mudaram. São aquelas coisas que fazem nossa identidade tão única e tão forte que nada no mundo é capaz de alterar.
Então essa é a minha listinha:
1) Apesar de todos os percalços, eu não deixei de ser vaidosa, nem de me cuidar, me pentear (!) e gostar de mim. Até quando eu estava careca, fazia escova. Colocava a peruca na cabeça e escovava com o secador. O barulho do secador faz parte de quem eu sou.
2) Eu continuo sonhando acordada

3) Os rótulos dos meus perfumes ainda ficam posicionados na diagonal nas prateleiras do meu banheiro.
4) Filmes, livros, novelas e seriados são e sempre serão meus bons companheiros.
5) Eu amo cheirinho de amaciante. Na roupa, no lençol ou na toalha, não tem nada melhor do que aquela sensação de limpeza.
6) Ainda sou uma formiga: viciada em doces, brigadeiro, sorvetes, chocolates, cupcakes, macarons, doce de leite, amooooo!!

7) Sou implicante e teimosa, confesso! (O Guilherme quem diga).
8) Amo viajar. Para todo e qualquer lugar. Queria passar a vida viajando.
9) Sou preguiçosa e amo dormir.
10) E principalmente, eu continuo sendo otimista. Nem a pior perspectiva conseguiu amargurar meu coração.

Esse é o meu jeitinho. E você, já pensou em coisas que fazem você ser quem é?

Beijos, 
Thai
domingo, maio 13, 2012 2 comentários

Dia das mães

Hoje eu vou aproveitar o dia das mães e falar de duas mulheres.
A primeira é minha mãe. Nossa ligação sempre foi muito forte, mas quando descobrimos o câncer, essa ligação se tornou inexplicavelmente maior.
Se é para falar de momentos tristes relacionados a presença dela nessa saga, eu só me lembro de dois: no dia em que meu pai me deu a notícia e ela desceu as escadas de casa com o rosto todo inchado de tanto chorar e outro quando a gente conversou sobre a cirurgia e eu tive uma reação aos gritos e lágrimas de desespero/raiva/medo e parecia que eu estava descontando tudo nela (mas não estava) e depois ela veio me pedir desculpas e eu senti peso na consciência por estar sobrecarregando tanto essa mulher tão pequenininha. Não dá para acreditar no tamanho do amor da minha mãe. 
Mas nós tivemos muitos momentos de descontração, de força, de união. A gente sempre deu um jeito de rir nas salas de espero dos consultórios/clínicas/hospitais, por um motivo ou por outro a gente dava um jeito de rir, mesmo nos momentos mais complicados.
Se eu fosse descrever essa baixinha, não poderia ser diferente: Dona Tata é o amor da cabeça aos pés.
É uma grande honra ser sua filha, mãe. Tenho certeza que ficaremos sempre juntas nessa vida e em todas as outras. Te amo mais que o mundo inteiro!
Meu aniversário 2009, as duas maravilhosas e eu (em uma versão gordinha).
A outra mulher que eu vou falar hoje sou eu!
É difícil demais explicar a certeza que eu sempre tive, desde que eu me conheço por gente: quando eu crescer, quero ser mãe. Eu já tenho o nome dos meus filhos escolhidos, nem sei desde quando.
Sempre quis ser mãe. E ainda quero.
A doença me nocauteou. Tiveram momentos que eu achava que tudo o que eu passei seria capaz de tirar os meus sonhos. Na verdade, eu acho que em dado momento isso aconteceu! Mas a diferença é que eu não me deixei abater. Nada é maior do que a minha vontade de ser mãe.
Outro dia eu li em uma revista: "Quando o desejo de uma mulher de ser mãe é forte, não importam os meios, ela se torna mãe!!".
E eu acredito muito nisso.
Espero que um dia eu seja para alguém dez por cento do que a minha mãe é para mim.

P.S: Esse foi o post que eu fiquei mais emocionada para escrever durante todo o blog. Nó na garganta demais.
domingo, abril 22, 2012 1 comentários

Viagem com as amigas - Resolução nº 3.

Semana passada eu cumpri mais uma das metas estabelecidas na minha listinha. Viajei com as amigas.
Foi tudo lindo, 30ºC todo os dias, piscina até as 19h, por-do-sol espetacular na areia baiana, muita comida, bebida, atividade física (aula de hidroginástica e axé todos os dias), mas acho que abusei demais e acabei pagando um precinho  por  tudo isso.
Canoagem no fim de tarde.
 Desde quarta-feira comecei a me sentir meio esquisita, dor de garganta e muito inchaço, mas mesmo assim consegui aproveitar todos os momentos bons e deliciosos junto com as meninas.
Acontece que cheguei em Curitiba ontem explodindo de tão inchada (sei que parece papo de gordinha, mas é verdade) e pior, com uma daquelas gripes de arrasar. Nem me lembro a última vez que tive uma gripe dessas, mas enfim.... percebi que por mais que eu sinta que minha vida está normal novamente, não posso esquecer que passei por um tratamento muito intenso a pouquíssimo tempo atrás e meu corpo ainda está com limitações.
Decidi tirar o pé do acelerador - pelo menos tentar diminuir o ritmo - mas continuar normalizando a rotina. Tiveram vários momentos da viagem que eu curtia sem nem me lembrar a razão para estarmos lá, mas quando eu lembrava, pensava: "Meu Deus, obrigada por me fazer tão forte!".
Amo vocês, meninas!
E em relação as meninas só tenho a agradecer por tudo o que elas são: amigas para todos os momentos, para enfrentar tudo de duro que aparece na frente, mas também para ajudar a curtir toda a moleza que a vida nos oferece.

Melhor  é saber que essa foi só a primeira parte das férias 2012. Logo logo tem mais.
Beijos,
Thai.
terça-feira, março 06, 2012 13 comentários

Mega Hair - Resolução nº 2. Check.

Meus planos deram certo e tcharam: estou de cabelos!
Foi um processo longo e doloroso. 10 horas e 35 minutos sentada na cadeira, descontando o intervalo para almoço, mas meu cabelo cresceu.
As colinhas do mega hair aparecem bastante na raiz, então por enquanto tenho que usar alguns artifícios para disfarçar, mas isso é o de menos.
Quando eu olhei no espelho com essas madeixas, eu vi uma pessoa que eu não conseguia enxergar fazia tempo: EU MESMA
A peruca e o lenço foram meus companheiros, mas me deixavam muito diferente fisicamente, então, ao colocar meu próprio cabelo de volta o sentimento foi indescritível, foi como seu eu tivesse fechando uma porta para todo o terror que foi a queda de cabelo.
Olha o ninho de sarará de volta, Brasil!!!

Hoje eu aproveitei para comprar uma escova de cabelo nova, touca de banho, shampoo e condicionador e mudar o secador para meu armário de novo. Afinal, agora eu tenho uma cabeleira bem trabalhosa para administrar.
Quem não passou por isso, não é capaz de entender.... mas a sensação de precisar de um touca de banho é uma das coisas boas da vida. Se você não quer molhar o cabelo, significa que você tem cabelo. E isso é uma coisa maravilhosa!!!

A luta ainda continua, mas com cabelos compridos e força total.
Beijos,
Thai
quarta-feira, fevereiro 08, 2012 4 comentários

Pai.

Domingo eu estava comemorando que não teria que acordar cedo no dia seguinte, quando meu namorado me disse: "quero só ver até quando você vai aguentar ficar sem fazer nada" e o que ele quis dizer na verdade foi "quero só ver até quando você vai aguentar ficar sem fazer nada sem enlouquecer". Ou seja, todos à minha volta sabem que minha cabeça desocupada é um perigo para a nação.
Meu único compromisso diário é estar na clínica 16h12, fazer uma sessão de 10 minutos de radio e voltar para casa. Para não tornar meu ócio algo nocivo para as pessoas à minha volta, estou tentando me ocupar com coisas gostosas: colocar a leitura em dia (essa missão está devagar), fazer o planejamento de uma viagem perfeita, ir no shopping com a Mah (últimos dias dela em Curitiba. Snif!) e emagrecer, custe o que custar.
Mas hoje eu vou aproveitar o blog para parabenizar - e agradecer - o melhor homem do mundo: meu pai.

Meu jantar de formatura. Janeiro de 2009.
Hoje é aniver dele e quero aproveitar para manifestar minha admiração pelo homem. Ele batalhou a vida inteira para estar onde está hoje e mesmo assim, trabalha muito ainda. Tem força de vontade e determinação como ninguém, mas o que o torna mais admirável é o tamanho do coração. Ele é generoso e absolutamente embebido de bondade.
E desde o primeiro dia em que ele me deu a notícia de que eu estava doente, sei que nunca parou de lutar para que a minha luta fosse menos dolorosa. Na verdade, desde o dia que ele soube que a minha mãe estava grávida de mim, ele fez com que a minha vida fosse o mais cor-de-rosa possível. E posso falar? Ele fez um bom trabalho. 
A minha luta foi o menos sofrida dentro do possível, porque sempre tive em quem me apoiar e desde que eu nasci, eu nunca deixei de ser feliz. Nunca, por nenhuma razão e nenhum minuto. Isso que me faz ter tanta vontade de viver. Quem desperdiçaria uma vida tão boa assim?
Devo tudo, tudo e mais um pouco à dedicação desse homem maravilhoso (e da mulher maravilhosa que divide a vida com ele, claro!).
Paizão, te amo! Feliz aniversário!

Beijos,
Thai
quarta-feira, novembro 30, 2011 7 comentários

Cirurgia - Preparação

Eu acho que o medo é fundamental. Você imagina o mundo se as pessoas não tivessem medo? Ia ter gente se jogando para fora de avião o tempo todo (ops! isso já tem). Mas brincadeiras à parte, é óbvio que esses momentos pré-operatórios são tensos e eu estou com medo.
Para falar bem a verdade, penso mais na dor e no fato de que o transtorno pós-operatório durante meu aniver, Natal e Ano Novo pode estragar tudo. Sou dessas, estou mais preocupada com a chatisse de estar operada na minha época preferida do ano do que com o fato de fazer uma mega cirurgia daqui dois dias. Eu sei que vai doer, vai ser chato, disso tudo eu sei, mas e os presentes  de Natal que ainda não comprei, faz como?

Bom, enquanto não chega a hora de sentir um pouquinho de sofrimento na  pele, vou levando da melhor forma possível.  O final de semana foi gostoso, chegou um momento em que eu quase me senti normal de novo. Até consegui dormir mais horas do que o habitual, mas o bruxismo mandou beijos. Travei tanto nas últimas noites que a dor de cabeça não vai embora nunca.
Estou muitos quilos acima do peso nesse momento e vou considerar esses próximos dias de internação um tipo de spa. Comida de hospital é dose, eu odeio canja e provavelmente vou estar virada do avesso por causa da anestesia. Será que dá para perder alguns dos quilos indesejáveis?
Não sei muito bem como vai funcionar as visitas no hospital, não sei de quase nada na verdade. As vezes a ignorância é um coisa maravilhosa. Essa semana estou aproveitando para fazer algumas coisas que gosto e tomar providências.
Tirando o fato de que o convênio ainda não liberou minha cirurgia e está um tal de liga para médico, ouvidoria, anvisa, já estou preparada. Minha mala está pronta, contendo camisolas fofas, muitos lenços, maquiagem, perfuminho e tudo que puder fazer um truque para esconder a carinha de adoecida.
Se até o momento eu estou bem na missão de esconder o abatimento e a careca, não vai ser no hospital que vou deixar a peteca cair, não é mesmo?
Então é isso... me desejem sorte. Vai dar tudo certo e dentro de alguns dias estarei de volta com mais uma etapa resolvida!

Beijos,
Thai.
quarta-feira, novembro 23, 2011 6 comentários

Vaza, Quimio!

O tempo é extremamente relativo. 40 minutos de massagem relaxante é pouco. 40 minutos na sala de espera do oncologista é uma eternidade.
Mas assim que fui chamada, a interminável ansiedade acabou. Após o exame, extremamente rápido, vieram as boas notícias. Foram ótimas notícias, para ser sincera. Foi o fim do câncer! A lesão do cólo do útero reduziu OITENTA POR CENTO. Repito: 80%!
A quimio foi suspensa, fim das células malignas. Vou dar mais enfâse: Acabou a quimio!!! Meu cabelo vai voltar a crescer essa semana já, nunca mais terei aquele gosto horrível na boca, nada de coceiras desesperadas. Chegaaaa!
Em três sessões, metade da programação inicial, eu acabei com essa maldição. Sou poderosa ou o que?? Não tenho como me expressar melhor do que usando as doces palavras da minha musa Beyoncé: WHO RUN THIS MOTHA????
Bom, a demora para fazer esse post foi em decorrência de que eu fiquei com a "Escolha de Sofia" nas mãos e passei dois dias bem apreensivos tendo que escolher entre opções que não me deixaram muito feliz, ou seja, não quis parecer ingrata, mas mesmo com a redução absurda do câncer, a minha situação ainda pode ser considerada um tanto quanto periclitante. E com certeza tem gente pensando: "Mas tá viva, isso que importa, por que querer tanto ter filhos?", mas eu tenho a resposta.
Sabe quando seus pais são pessoas tão maravilhosas e especiais e fizeram sua vida ser perfeita? Além disso fazem um trabalho tão bom na sua família, que você passa sua vida inteira querendo ser para alguém o que eles são para você?
Eu sei! Passei minha vida inteira querendo transmitir todo o amor que eu recebi dos meus pais para os meus filhos. E depois que encontrei o Guilherme, tive certeza que estava com alguém que faria um bom trabalho ao meu lado nessa missão. Eu acredito que serei uma ótima mãe e tenho certeza que ele será um ótimo pai.
Esse é o drama do momento, mas prefiro não falar nesse assunto, ok?
Então, passando por cima disso, vamos voltar a parte boa: encerrada a quimio, estamos apenas a um passo do fim. Quem quer comemorar??
Depois de estudar muito minhas opções, junto com as pessoas que eu amo, ficou marcada a cirurgia para dia 02 de dezembro e depois terei 30 sessões de radio pela frente. Claro que estou com medo, mas vou sofrer só dia 02, até lá.... vida normal. Depois da recuperação cirurgica, só festa.
QUEM FAZ RADIO PODE BEBER? NÃO EXISTE UMA BOA COMEMORAÇÃO SEM ESPUMANTE. 

E para finalizar esse post imenso quero agradecer do fundo do meu coração o pensamento positivo e oração de cada um de vocês. Sei que foram muitos e o mais importante, funcionaram!!!! Eu espero, um dia quem sabe, poder retribuir tudo de bom que eu recebi nesses três meses.
Eu sei que não falo muito de Deus por aqui, mas gente, vamos falar sério.... DEUS É LINDO OU É MARAVILHOSO????

A luta continua, e está muito perto do fim.
Beijos,
Thai

* Dessa vez coloquei fotos do meu acervo pessoal quando meu cabelo estava lindo e sedoso.... E agora ele vai voltar. Ufa!!!
sexta-feira, novembro 11, 2011 4 comentários

11.11.11

Confesso que já tive semanas melhores, mas não é por isso que vou deixar de apreciar a bela data de hoje, não é?
Que dia mais lindo e cabalístico, gente. Sempre achei que me casaria em onze do onze de dois mil e onze, mas o tempo foi passando e quando eu vi já era tarde para aproveitar essa data tão especial.
Não tem problema! Apesar de hoje não ter nenhum acontecimento tão memorável quanto merecia, estou aproveitando para escrever por duas razões: a primeira delas é dar meu boletim médico. A minha recuperação da terceira sessão de quimioterapia foi mais chata. Tive mais enjôo, mais náusea, mais cansaço físico do que as outras vezes e para piorar, a novidade da vez são umas afecções lindas na pele.

 Hoje estou me sentindo um pouco melhor, exceto as dores no corpo que já são minhas velhas conhecidas nessa etapa da recuperação. Em suma, haja fosfatase alcalina para combater esse coquetel motolov: Decadron, Dorflex, Neosaldina, Rivotril, Allegra, Vonau, Bromoprida e outros brigaram por um espaço aqui dentro.
A segunda razão para eu fazer o post hoje é porque queria demais falar de uma pessoa faz tempo. Exemplo de superação, de bom humor e de vitória: Márcia Cabrita.
Eu passei o final de semana antes da primeira sessão de quimio no Rio de Janeiro. Estava em um momento super sensível, chorona e tinha acabado de começar o blog. Então, meu amor e eu resolvemos assistir uma peça de teatro e quando vi que a Márcia fazia parte do elenco fiquei muito feliz. Sabia que ela tinha tido câncer mas não sabia detalhes.

A peça foi muito engraçada, ela é uma atriz sensacional. E quando a vi no palco de cabelo curtinho arrasando - agora já está de mega hair - fiquei muito emocionada conseguindo ter uma perspectiva do meu futuro livre do câncer.
Depois de uma pesquisa descobri que ela teve câncer nos ovários e que tinha superado tudo. Teve um tratamento cheio de altos e baixos e dividiu tudo isso em um blog (maravilhoso!!).
Quando eu li o blog dela, automaticamente ela virou minha musa inspiradora. Bem humorada, centrada, mas acima de tudo: VERDADEIRA. Fala tudo o que sente na lata, sem se envolver um uma nuvem falsa de positivismo dizendo que "o câncer melhorou a vida". Concordo em gênero, número e grau com quase tudo que ela diz e escolhi um trechinho mínimo (mas, perfeito) de um texto dela:

"(...)Chorei pelas dores , enjôos, injeções e tudo mais. Eu me dei esse direito. Eu me dei o direito de ser humana. A Mulher Maravilha mora na televisão, eu moro na Gávea mesmo. A Mulher Maravilha dá aquela giro e sai linda e poderosa correndo para salvar pessoas. Se eu fizesse a mesma coisa cairia estabacada com a careca no chão.  (...) Sinceramente, não acredito em uma seleção divina. Muitas pessoas bacanas e crianças morrem e isso não é nem um pouquinho justo (...)"

Essa entrevista que ela deu no Jô arrasa (assistam, pois vale a pena). Fofa demais. Inspiradora demais. Um sonho: dar um abraço na Márcia Cabrita.

Bom feriadão para todos. Bom descanso e feliz 11.11.11.
Beijos,
Thai.

quarta-feira, outubro 26, 2011 5 comentários

Compensação

Ai que coceira dos infernos! (ok, não tem nada a ver a coceira com o resto do post, mas não tinha como começar a escrever hoje sem reclamar dessa coceira. Estou me sentindo um poodle pulguento. Haja Allegra!!).
E por essas e outras razões, que nem preciso mencionar, é que eu fico tentando encontrar qualquer maneira de compensação. É um sistema bom e ruim ao mesmo tempo.
Quando a gente está para baixo, se achando feia, azarada, esquisita, escolhida ou magoada, compensar é bom. É simples: "Eu estou triste, quero meu cabelo de volta!", nada que um brigadeiro de panela com sorvete de creme não resolva, ou então, "Por que eu tenho câncer, meu Deus?!" e da-lhe vestidinho novo. Cartão de Crédito, para que te quero!

Maaaaas..... quando a gente acaba comendo brigadeiro demais acaba engordando demais, ou quando compra vestidinhos demais, acaba gastando demais e essas coisas não são boas. Então, até que ponto a compensação ajuda?
É difícil dizer, porque na ponta do lápis, nada é capaz de compensar as dores e o sofrimento que a doença traz. O fato de tomar Rivotril para dormir não quer dizer que o remédio te trouxe a paz de deitar a cabeça no travesseiro e dormir.
Eu acredito que a compensação é válida, porque durante o tratamento, o meu foco é não deixar a peteca cair e isso não é muito fácil, as vezes precisamos de uma ajudinha. E nada como um vestidinho para segurar a peteca lá em cima.

Mas o que adianta um closet lotado (como se eu tivesse um closet) e depois uma fatura de cartão impagável? Isso seria mais uma preocupação para minha vida e eu não quero.
Então.... é força na peruca para controlar os reais a menos e os quilinhos a mais, e tentar compensar saindo com as amigas, esmagando os sobrinhos, jantar com a família, dengos do namorado e quando eu me der conta, estarei acordando em 2012, quando tudo já estiver terminado (um sonho!).

Com brigadeiro ou sem, a luta continua.
Beijos,
Thai
quarta-feira, outubro 12, 2011 3 comentários

Mimada

É difícil encontrar as pessoas agora que sou "peruquenta". 
Pelo menos em um primeiro momento, porque todo mundo fica analisando meu novo visual.
Já passei pelo crivo da minha família toda e do meu amor.
Amanhã é dia de encarar o pessoal do escritório e eu estou morrendo de frio na barriga. Ninguém ficaria analisando a minha cara nova se o cabelo estivesse, de fato, grudado na minha cabeça pelos fios e não por uma rede, mas... é a vida.

Estou mais tranquila em relação à minha nova aparência, afinal não poderia sofrer para sempre.
Essa noite sonhei que não tinha raspado a cabeça e que estava na rua e meu cabelo tinha caído mais e estava cheio de falhas, eu ficava tentando esconder. Um desastre. Então, conclui que a minha decisão foi a melhor. O que mais me desesperou foi ver a queda. Acreditem, não é fácil.
Cada vez que eu me olho no espelho de lenço eu penso assim: "Nossa, fulana não ia aguentar ter câncer... ia estar deprimida demais!", "Afe, se fosse com tal pessoa, dúvido que ela conseguiria sair de casa", "Ih, se cicrana ficasse careca morreria. Mimada demais!" e  depois eu penso: quem diria que eu ia aguentar? Mimada demais eu sempre fui. Sempre pareci fraca demais também, mas eu não sou nada disso. 
Descobri uma força inacreditável. 
Meu pai me viu dar um sorriso ontem e deu um pulo no meu pescoço dizendo que estava muito feliz porque eu estava rindo de novo. Mas gente, calma lá, eu fiquei dois dias sem sorrir, e só. Foi meu período de luto, agora tudo tem que voltar aos eixos.
A segunda vez que eu me vi no espelho sem cabelo, com pouca sobrancelha e pouco cílios, sabe o que eu fiz?? Eu ri, pensando se eu parecia mais com um judeu no campo de concentração ou uma mutação genética sem pêlos. 
Eu não posso chorar para sempre né??? Então, eu tive que rir. Afinal, câncer não é para os fracos.
Sendo assim, vamos em frente porque a luta continua!

Beijos,
Thai.
segunda-feira, outubro 03, 2011 3 comentários

A história dos outros.

Segunda-feira agitada.
Uma semana depois da primeira sessão da quimio e hoje eu fui providenciar meus cabelos novos (estou com uma certa raivinha do nome "peruca").
A gente sempre tem que contar um pouco da nossa história para as pessoas, mas tem muita gente que quer contar a história da prima, da vizinha, da colega, da irmã, da amiga da amiga, e eu escuto todas, mas algumas eu odeio ouvir. Outras me ajudam a lembrar que eu não estou sozinha nesse barco furado.

Hoje eu ouvi história de uma senhora que teve o primeiro câncer há 20 anos atrás e ele voltou várias vezes (odiei!). Ouvi a história de uma menina que raspou o cabelo no salão lotado em um sábado e TODOS CHORARAM (segurei o choro!). Ouvi história de uma menina que tacou tanta química no cabelo que o cabelo caiu e ela teve que raspar por pura burrice e depois colocar mega hair (dei graças a Deus ter nascido mais esperta que essa).
Mas principalmente, eu ouvi uma história da boca de uma personagem real. Tão real quanto eu.
Enquanto eu estava definindo a minha própria peruca (argh!), ela chegou para raspar o cabelo. Na verdade, ela ia cortar o cabelo e salvar para fazer a peruca dela, mas enfim, o dia dela ficar careca, triste e deprimida era hoje.
E nós conversamos uns dez minutos e eu tive tempo de descobrir que ela é uma professora universitária com emprego "full time" e que descobriu o câncer de mama dia 29 de agosto (dez dias depois de mim) e já fez três sessões de quimio. Mas ela faz uma por semana e ainda faltam nove semanais e mais não sei quantas com espaçamento de 21 dias antes de ela (talvez) poder operar.
Os exames iniciais dela não foram bons e ela vai precisar de um medicamento mais agressivo para ver se melhora o quadro. Já está usando um catéter e disse que a medicação é super ardida para entrar.
Dai que eu não fiquei triste por ela, porque ela não é triste por ela. Ela fala da própria história sem embargar a voz e levou uma câmera fotográfica para registrar o momento da carequice chegando.
Antes de ir embora eu desejei "Boa sorte!", porque não tem mais nada que se possa falar para uma pessoa como ela. Ela só precisa de sorte, porque força ela já tem.
Depois, eu marquei com a minha cabelereira de ir em casa tirar meus fios quando chegar a minha hora de perder eles, coloquei um (dos muitos) lenço novo na bolsa e voltei a trabalhar, porque tudo o que eu quero é isso. Viver minha vida.
 
;