Hoje a estrela do dia é minha amiga amada, responsável pela existência desse blog.
Sem as aptidões internéticas dela, eu não teria me animado para começar. É uma das pessoas que me traz força e as lembranças dos nossos momentos juntas, me faz pensar que vale a pena seguir em frente. Por essa razão, tomei a liberdade de postar uma fotinho nossa da vida real para ilustrar o texto dela.
Mayara de Paula, só tenho que te agradecer por tudo.
Te amo, amiga.

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."
É com essa frase clichê que eu - como mera colaboradora do blog hahaha - começo meu post.
Nao vou escrever aqui sob o ângulo da paciente, que eu não sou.
Tampouco tentar descrever as sensações/pensamentos da minha amiga,
afinal essa tarefa ela já está desempenhando (magistralmente).
Eu sou a pessoa que está do outro lado.
Cheguei por último entre elas, falando devagar (já mudei), com o coração pela metade, um pedacinho aqui e outro no interior.
Fui ficando. Conhecendo. Me apegando. E sem avisar, o que antes era meramente informal, se tornou essencial.
Minhas melhores amigas. No plural mesmo. Cada uma com sua personalidade distinta e ímpar.
Eu sou daqueles que acreditam que amor é pra ser distribuído! Tem espaço pra elas aqui.
Daí que os dias iam passando, sem muitos sobressaltos. As gargalhadas ganhavam disparado das lágrimas.
O score estava patético pro time da tristeza.
Não que a vidinha da gente fosse perfeita. Não era. Jamais será (human beings!).
Mas pra mim, o placar estava ótimo. Pra tudo se dava um jeitinho, um jantarzinho, um vinhozinho...
Até que entre uma aula e outra (sou vestibulanda novamente) meu celular tocou e eu, que sou do time das mensagens de texto,
pensei: "Mas porque a Flor tá me ligando???"
Quando eu atendi, notei que a voz dela estava diferente. Era uma tom que eu nunca tinha ouvido.
Ela disse: "Amiga, eu tenho uma notícia pra te dar. Fica calma, tá?"
Pois é. Eu não fiquei calma.
Eu não fiquei calma por muitos dias.
Os estágios que se sucederam seriam até engraçados se não estivessem acontecendo comigo e com a minha amiga.
Primeiro eu pensei: "Mas que brincadeira de mau gosto é essa?"
Na mesma hora amaldiçoei a pessoa que mora lá em cima e fiquei pensando em quem seria o responsável pelo setor das notícias-sem-noção.
Nesse momento, câncer era só uma palavra, substantivo masculino, singular (Alô, vestibular!).
Depois, a frase começou a fazer looping no meu cérebro: "A Thai está com câncer. A Thai está com câncer.³"
Assim, infinitas vezes.
Aí começou a fazer sentido. E aí eu comecei a chorar.
Pedi licença e saí da sala de aula. Fui pra casa me permitir chorar todas as lágrimas que eu quisesse.
E gritar pro mundo o quando ele era injusto, sujo, cruel.
Depois eu fui tentar barganhar com Deus.
Ofereci umas coisas pra ver se ele devolvia a saúde da minha amiga, mas até agora não obtive resposta.
E as propostas até que eram boas...
Chorei de novo, mas lágrimas não amenizam angústia.
Essa parte dura um tempão. Eu não achava ninguém pra por a culpa!
Até que eu finalmente entendi que certas coisas simplesmente acontecem e não
vai haver um culpado, por mais que eu procure, não existe. São as tais fatalidades da vida.
Quem inventou isso? Eu mato! (Maturidade, beijos.)
Quando eu me senti forte, veio o outro estágio "Meu Deus, o que eu vou dizer dizer pra ela?"
Essa parte é curiosa. Ao mesmo tempo em que é uma das suas melhores amigas, a de sempre, que você já viu de pijamas, sem maquiagem, dividiu o copo de coca-cola, a tela do notebook, o pedaço do travesseiro... Dá um certo receio, um medo de falar algo errado.
É a urgência em confortar, mas ela vem de forma desajeitada.
A situação é nova pra todo mundo. E aí nos enchemos de dedos, pensamentos de mais, ações de menos.
Eu mandei uma mensagem tímida, clichê, com umas frases prontas, que depois de enviada eu pensei
"Sua anta! Precisava ter sido tão brega assim?"
Não sei se foi pouco, não sei se acalentou, não sei se faltou presença física.
E nem quero que haja uma "próxima vez" pra eu testar um método diferente.
Eu sei que foi o que de melhor sobrou em mim, foi o que de mais carinhoso eu tinha naquela hora.
Depois de alguns dias, nós nos encontramos.
A palavra "câncer" parecia um fantasma, um mau agouro. Era como se fosse uma fumaça que estava ali nos espreitando.
Ninguém queria falar sobre isso abertamente, mas era preciso exorcizar o fantasma.
Afinal, se aquele assunto fosse tabu entre nós, a amizade não teria sentido algum.
E entre assuntos banais, finalmente conseguimos falar sobre a doença. De forma natural, sem dramas, sem exageros.
Eu admirei a minha amiga. Eu achei lindo a forma como ela estava conduzindo tudo.
A força, a determinação, a coragem. Quando ela disse que havia escolhido viver,
eu acreditei que tudo ia ficar bem. É nisso que eu vou continuar acreditando.
A brutalidade do tratamento, a crueldade da doença, os efeitos colaterais, nada disso vai transpassar o escudo.
Estamos todas à postos pra qualquer batalha. Sobretudo ela.
O time da tristeza não conseguiu virar o placar. Saber rir de si mesmo, enxergar as situações com todas
as suas nuances, ser multifacetada, isso nós fazemos bem. É uma virtude.
Eu acredito muito que a vida nos dá oportunidade de escolher àqueles que queremos por perto.
São pessoas que acrescentam, nos somam, pra no final termos histórias bonitas pra contar.
Enquanto isso, a vida começa a cada instante e não se deve olhar pra trás nem se lamentar.
É lutar com as armas que se tem, descer pro playground e brincar sem medo de ralar o joelho.
Minha amiga é dessas.
E eu encontrei o meu lugar, junto delas.
Amiga, você é meu orgulho, meu exemplo, um dos motivos pelo qual sorrio.
"Se tu vens às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz."
Te amo muito.
Mayara
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